Dia de chuva em Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de outubro de 2002
Chiara Papali<bR>Reportagem Local 
Londrina, três da tarde, primavera ainda, mas calor de alto verão. O céu encoberto de nuvens abafa. Sufoca. A sensação de calor é maior que a registrada nos termômetros. Não demora, e a chuva se anuncia. Nuvens carregadas. Folhas e lixo das ruas são arrastados pelo vento. As pessoas olham em torno, pensando em como se proteger do temporal. Será que vai mesmo chover?
No União da Vitória (zona sul), as comadres trocam comentários. ``Da última vez, a chuva ficou só na promessa``. ``Precisa mesmo chover, a poeira tomou conta de tudo``. ``Já perdi a conta de quantas vezes levei meu menino no posto``. ``E a casa, então, a gente limpa, limpa, e não vence``.
Em frente à Biblioteca Pública (área central), as peças de xadrez começam a ser recolhidas. Uma a uma. As primeiras gotas de chuva espantam os aposentados. A diversão deverá ser agora um livro ou os jornais do dia, onde lê-se que a previsão do tempo é de pancadas de chuva ocasionais.
O toró despenca. Chuva e vento lavam as ruas da cidade. A água cai forte, torrencial. No Calçadão, as pessoas correm procurando abrigo debaixo dos toldos das lojas. Se espremem, mas são solidárias. Sempre cabe mais um. O ``consertador`` de guarda-chuvas procura fregueses (quem não tem um, quebrado?). Ele adivinhou a chuva cedo, mas não ganhou muito com os descrentes que ``esqueceram`` o guarda-chuva em casa.
Nas avenidas JK e Higienópolis o trânsito começa a ficar complicado. Quem pode, usa o carro para não pegar chuva. No bosque, somente árvores (não) protegem a estudante da chuva. A universitária pisa na poça d`água com a sandália nova (``droga!``). Em casa, o menino assiste à Sessão da Tarde.
Nas escolas, as crianças gritam. É hora do intervalo, de correr pelo pátio. Ninguém se atreve a ir até o campinho, por causa da grama molhada. O catador de papel tenta proteger a féria do dia com um plástico, que teima em sair do lugar e molhar tudo. O motoqueiro, prevenido (protegido com roupas de borracha), sai pela Avenida Leste-Oeste, passando pelo buracos cheios de água. (``só para espirrar``). Repórter e fotógrafo da Folha saem para fazer matéria. Parece que uma árvore caiu em cima de uma casa na zona norte.
A chuva forte não dura muito. Depois de um tempo é só um chuvisco, inofensivo. No fim da tarde, o clima está fresco, agradável. A hora é do lusco-fusco, das primeiras estrelas e luzes multiplicadas nas poças d`água. Quem sabe não é o anúncio que dias melhores virão?


