Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
No Dia das Crianças, para algumas pessoas é mais importante esquecer que a data comemorativa foi criada para aumentar as vendas no comércio. A assistente social Lenora Reicheen prefere analisar as conquistas proporcionadas nos 10 anos em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está vigorando. ‘‘O Estatuto é avançado na maioria de seus artigos, mas é preciso que a comunidade e o poder público melhorem a implementação de muitos programas previstos na legislação.’’
Para ela, um dos maiores problemas é a exploração da mão-de-obra infanto-juvenil. ‘‘Infelizmente é uma questão cultural, que atrapalha a formação educacional das crianças. Os pais levam os filhos para a lavoura ou para trabalhar na construção civil porque precisam de ajuda’’, explica Lorena, que, há 12 anos, trabalha na assessoria de apoio ao Juizado da Infância e da Juventude, em Curitiba. ‘‘O ideal seria que os municípios se reunissem, com o apoio da iniciativa privada, para regionalizar o atendimento aos menores carentes ou infratores; diminuindo os custos e agilizando as atividades assistenciais.’’
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNDA) realizada em 1997, a mais recente feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que 2.557.588 menores estão no mercado de trabalho. Crianças e adolescentes na faixa de 10 a 14 anos de idade. A mesma pesquisa, feita 2 anos antes, apontou que, no Paraná, na mesma faixa etária, 58,3% das crianças
ocupavam-se em atividades agrícolas. ‘‘Muitas crianças também podem ser econtradas em trabalho doméstico’’, completa Lorena.
Ao conhecer os perfis das crianças apresentadas nesta página, a assistente social disse que é importante que os pais saibam impor limites às atividades dos filhos. ‘‘A carência afetiva das crianças pode aumentar se, por ser mais cômodo, muitos pais preferirem encher os filhos de brinquedos e outras atividades, diminuindo a importância do lado afetivo das relações’’, comentou.
Lorena disse que os ‘‘extremos são complicados’’. Ela afirma que o ônus de participar de um movimento como o dos agricultores sem-terra, por exemplo, é não permitir que os filhos tenham uma educação correta. ‘‘Criança tem que ser criança no tempo certo. Depois, quando iniciam a vida adulta, tendem a ser inseguros,’’ encerrou.

mockup