''Temos mais 45 dias críticos pela frente, e, se as pessoas relaxarem, logo não serão mais somente cinco novos casos na cidade''. O alerta foi feito ontem de manhã pela gerente de epidemiologia da secretaria municipal de Saúde, Sônia Fernandes, em meio às atividades que marcaram o Dia D de Combate à Dengue, em todas as regiões da cidade. De acordo com ela, o método educativo foi a saída encontrada este ano para evitar uma epidemia como a de 2003, quando foram quase 12 mil notificações da doença e 5.833 confirmações.
Durante quatro horas, cerca de 780 agentes e voluntários percorreram bairros e o Calçadão da Avenida Paraná (Área Central), distribuindo panfletos informativos sobre o mosquito Aedes Aegypti e as formas de transmissão da doença, além de sacos de areia para evitar o acúmulo de água parada em vasos de plantas. Conforme dados da Secretaria, os vasos são o segundo maior responsável pelos focos, com 22,8%, atrás apenas de garrafas, latas e plásticos, com 38,6%. O Dia D contou também com arrastões que, em algumas regiões, devem ser prorrogados até a próxima semana. Um exemplo é a Vila Marízia (Centro), um dos locais mais afetados ano passado pela epidemia, juntamente com a vizinha Vila Casoni.
Para os agentes que circulavam ontem de manhã entre barracos e casas da Marízia, o trabalho este ano conta com um importante aliado: a atenção dos moradores. ''Eles estão mais cuidadosos, com o quintal mais organizado, quase sem entulhos'', disse a agente comunitária Maria Trindade, 45. Encarregado da coleta de entulhos, o colega Ronaldo Martins Cordeiro, 32, concordou. ''Ano passado tinha bem mais coisas para retirar'', comentou. Para o coordenador do grupo, Fabiano Brambila, contudo, a comemoração pela mudança de atitudes ainda não deve ser iniciada. ''Não adianta nada a gente orientar se eles não aplicarem isso no dia-a-dia'', frisou.
Morador da Vila Marízia há 34 anos, o aposentado Trajano Pedro Gonçalves, 65, perdeu o cunhado no ano passado, vítima de dengue hemorrágica. ''A gente aprendeu a se cuidar mais e a cuidar mais do bairro. Mas tem muito barraco aqui juntando bicheira, precisamos de ruas e casas'', criticou.
A resistência de parte da população às abordagens dos agentes de saúde ainda é uma barreira. A dica, nesse caso, é verificar o símbolo da secretaria de Saúde no uniforme e o crachá com o nome do agente, aconselhou Sônia Fernandes. ''A pessoa pode ligar no disk-dengue 0800 400 1893 e confirmar o nome do funcionário''.

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