Dia D contra violência em Londrina
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quinta-feira, 04 de março de 2010
Mariana Guerin<bR>Reportagem Local 
A comerciante Maria Socorro de Souza, 65 anos, relembrou emocionada ontem a morte da filha, a auxiliar de enfermagem Sueli Aparecida de Souza, 38, durante um assalto a uma pizzaria, em março de 2007. Ela e outras vítimas da violência participaram ontem do ''Dia D'', no Calçadão de Londrina (Área Central). Com camisetas pretas, os manifestantes pediam o fim do luto na cidade.
''Só quem passa por isso entende como dói, por isso devemos lutar pela paz, pela segurança. Não devemos calar a impotência que vivemos'', comentou a comerciante, sobre a decisão de participar do protesto, organizado pelo Conselho Municipal de Segurança Comunitária.
O segurança Cícero Guilherme, 40, lamentou a perda de dois primos, de 17 e 18 anos, e de um cunhado, 23, que foram assassinados. Uma das mortes aconteceu em decorrência do roubo de um tênis e os outros dois homicídios ainda não foram esclarecidos. ''Vidas são ceifadas diante das autoridades.''
Representantes de 63 entidades da sociedade civil participaram da manifestação. Segundo o presidente do conselho, Claudio Espiga, a intenção é cobrar do governo estadual o aumento no efetivo policial para o município e a transferência do Comando do Policiamento do Interior, que hoje fica na Capital, para Londrina.
Conforme dados do Conselho, Londrina teve 25,45 mortos para um grupo de 100 mil habitantes em 2009. São Paulo, por exemplo, fechou o ano com média de 11,23 mortes por 100 mil. O problema, para o conselho, passa pela falta de efetivo: hoje a cidade conta com 900 policiais, segundo Espiga, quando o ideal é 2 mil.
Enquanto a Associação Comercial e Industrial (Acil) e a Comissão de Segurança da Câmara decidiram não participar, por entenderem que há cunho político, a subseção Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esteve no evento. Segundo o presidente da entidade, Elizandro Pellin, ''é louvável a sociedade civil organizada cobrar um direito legítimo da população''.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, mas não recebeu retorno.


