Dezessete presos fogem do 4º DP
Chiara Papali
Especial para a Folha
De Londrina
As polícias Civil e Militar estão na captura dos 17 presos que fugiram do 4º Distrito Policial, localizado na zona sul de Londrina, durante a madrugada de ontem, por volta das 3h30. Os presos fugiram através de um buraco feito no concreto de uma das seis celas da delegacia que tem capacidade para 24 pessoas, mas abrigava 59. Os fugitivos também fizeram um buraco em uma tela do alambrado que cerca as celas para chegar ao pátio e, de lá, pular um muro de 3,5 metros de altura até a rua.
Durante a noite, apenas um policial civil fazia plantão e no momento da fuga não ouviu nada. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, explica que não existe guarda externa nos distritos porque não tem pessoal suficiente para isso. Se tivesse, talvez as fugas não acontecessem, disse. Ele alega que a responsabilidade da guarda externa seria da Polícia Militar, mas o comandante do 5º Batalhão da PM, Silvio José Mazalotti de Araújo, afirma que a PM faz guarda externa na Prisão Provisória e na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Não é da nossa alçada fazer a guarda externa de cadeias, explica.
O alerta da fuga foi dado pelo porteiro de um prédio vizinho e um taxista por volta das quatro horas. A delegada Josane Caldardo, que substitui o delegado-adjunto do 4º DP, Joaquim Antonio de Melo, em férias, acredita que a chuva forte na madrugada impediu que se ouvisse qualquer barulho. A última fuga no 4º Distrito aconteceu há um ano e meio.
Ela também chama a atenção para a fragilidade da parede do distrito. A espessura da parede é de 20 centímetros e a estrutura interna de ferro tem a grossura de um arame. Não é uma construção adequada para uma delegacia, disse. Josane não soube informar com que tipo de instrumento os presos fizeram o buraco. As celas passam por revista interna a cada dois ou três dias e por uma revista geral, mais minuciosa, feita pela Polícia Militar, a cada 10 ou 15 dias, explicou.
A última vistoria feita pela PM foi no dia 14 de janeiro, e pelo plantonista na última sexta-feira, mas nada foi encontrado. Josane Caldardo acredita na possibilidade do buraco ter sido feito durante o final de semana, quando também só um plantonista permanece no local. É possível que algum objeto, como estilete, tenha passado despercebido durante o dia da visita, na última quinta-feira. Todos os visitantes são revistados, mas como em qualquer delegacia ou prisão arrumam maneiras inéditas de passar pela vistoria, disse. Até o final da tarde de ontem, um dos fugitivos tinha sido recapturado pela PM.





