Dezesseis pessoas procuraram polícia para denunciar agências
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sexta-feira, 09 de maio de 2003
Thiago Mossinie Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O 1º Distrito Policial (DP) já recebeu 16 queixas contra agenciadores que teriam prometido emprego fácil no exterior e não cumprem, o que configura estelionato. Somente anteontem foram dez reclamações. O delegado Marcos Belinati acredita que a tendência é do número de reclamações subir ainda mais. Ele começou a ouvir ontem as supostas vítimas.
Elas alegam que foram atraídas pela promessa de emprego na Europa, com ótimos ganhos e benefícios. Inglaterra e Portugal são os países mais oferecidos pelos agenciadores. ''Eles fazem muitas promessas, ganham em torno de US$ 600 por pessoa e, ao chegar no país, outra pessoa pega mais um pouco de dinheiro e a vítima não consegue trabalhar", conta Belinati.
Érico Gomes de Melo, 23 anos, é uma das pessoas que diz ter caído no golpe. No dia 14 de março ele e mais cinco pessoas embarcaram para Portugal para trabalhar. Ficaram 22 dias no país e não conseguiram nada. ''Eles iludem as pessoas, pois não falam que é preciso ter o visto de trabalho. Sem ele, ninguém consegue trabalhar. Portugal não dá esse tipo de visto desde outubro de 2001'', explica. Ele contou que gastou R$ 2,6 mil para se manter na Europa e mais R$ 3,2 mil de passagem ''Financiei tudo pelo banco e vou começar a pagar agora'', lamenta.
Um caminhoneiro de 55 anos, que não quis ser identificado, foi outra vítima. No dia 2 de março ele foi para Paris, na França, e entrou no país como turista conforme o orientado pela agência, segundo ele. O caminhoneiro pagou cerca de R$ 5 mil e, como não tinha dinheiro, deu um veículo Apolo para pagar a viagem.
Elizeu Alves dos Santos, 23 anos, também passou por maus bocados, mesmo antes de chegar ao destino: Inglaterra. Ele não chegou a entrar no país, foi preso na Irlanda porque não tinha o visto e tinha pouco dinheiro para ser um turista. ''Não sei falar inglês e não entendia o que eles me diziam. Fiquei preso por dois dias. Foi só sofrimento'', afirma, revoltado, Santos. Conforme o delegado Belinati, uma única agência de Londrina reúne 50% das reclamações.


