Dezenas pedalam contra as drogas no Centro
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domingo, 18 de março de 2007
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Que garoa fina que nada. Nem uns pinguinhos gelados na cabeça atrapalharam os ciclistas da 5ªPedalada Cidade de Londrina Contra as Drogas, que movimentou, na manhã de ontem, as Avenidas Higienópolis e Juscelino Kubitchek e a Rua Duque de Caxias, na Região Central de Londrina.
Famílias inteiras pedalaram pelas ruas da cidade usando camisetas e faixas na testa que alertavam sobre o tema das drogas. O empresário Osvaldo Oliveira e a esposa Vania Guimarães Silva fizeram questão de levar as filhas Karina, 10 anos, e Melissa, 8, ao evento. Foi a segunda pedalada contra as drogas da família, que seguiu no caminhão, animando o restante dos ciclistas.
Acho um grande propósito. Tento participar sempre e levar isso também para as minhas filhas, afirmou Oliveira, ressaltando que eventos como este têm resultado positivo em termos de divulgação e alerta da sociedade quanto ao problema da dependência química.
É gostoso participar, gostaria até que houvessem mais ações deste tipo em outras áreas, disse o comerciante, que já conheceu dependentes que conseguiram se livrar do vício. O papel da família é fundamental na recuperação do viciado, mas é um conjunto de ações que faz o resultado. A internação também é importante porque, para muitos, o problema é químico.
Para Vania, a pedalada é um pequeno grito para um assunto tão sério. É importante resgatar o tema e chamar mais a atenção dos jovens e das autoridades, que andam escondidas, opinou. Segundo ela, a mobilização serve também para formar lideranças na cidade, mostrar que o problema tem jeito e passar mensagens de esperança, amor e coragem a todos os cidadãos.
A pequena Ana Flávia, 9, adora pedalar e acompanhou o pai, o químico industrial Claudio Fontes, na segunda pedalada contra as drogas que ele participou. Toda protegida por capacete, joelheira e cotoveleira, e na moda, com o tênis que tem a foto dos ídolos, Ana subiu na bicicleta lilás enfeitada com adesivos da Hello Kitty e seguiu a caravana pela Avenida Higienópolis.
É maravilhoso fazer parte dessa grande conscientização popular, declarou Fontes, que prefere muito mais ver os jovens numa pedalada do que buscando droga. Qualquer evento que valorize o ser humano e a vida é valido.
Lição de vida A idéia das caminhadas e pedaladas contra as drogas surgiu no início da década de 1990, quando o promotor de eventos Gervásio Gonzalez, então com 26 anos, decidiu colocar um ponto final no vício que o consumia desde os 17 anos.
Resolvi cortar o mal pela raiz. Parei de beber, daí para frente foi mais fácil largar as outras coisas. Tive muita sorte de largar em 1992, pois foi neste mesmo ano que chegou o crack aqui em Londrina, contou Gonzalez, assinalando que, se não tivesse parado, talvez hoje não estaria mais vivo.
Após nove anos desenvolvendo um trabalho voluntário, aconselhando jovens dependentes químicos de Londrina a largarem o vício, surgiu à idéia de criar um movimento para chamar a atenção da população. Foi aí que realizamos a primeira Caminhada Cidade de Londrina Contra as Drogas. Foi uma luta enorme, mas deu tudo certo, alem de ter sido um sucesso, foi um evento inédito, recordou Gonzalez.
Como na caminhada havia muitos garotos de patinetes e bicicleta, surgiu a idéia de realizar a pedalada, que também tornou-se um evento anual, contou o promotor.
Depois de uma hora de pedalada, os participantes assitiram a uma peça teatral e coreografias com temática anti-drogas. Segundo Gonzalez, os ciclistas que doaram alimentos não perecíveis também participaram do sorteio de 15 mountain bikes. Os alimentos serão doados para instituições que trabalham na recuperação de dependentes químicos de Londrina, informou.


