Londrina

Milton DóriaComplicaçõesA comerciante Vera: ‘Sem luz não dá para fazer nada em casa’Algumas interligações irregulares foram desligadas anteontem e ontem, deixando sem energia elétrica várias casas de famílias moradoras do loteamento Tarobá 1 (zona sul). Outras desligações estão programadas pela Copel para ocorrer nos próximos dias. Serão prejudicadas com a falta de energia cerca de 30 famílias, além de alguns estabelecimentos industriais e comerciais.
Segundo o gerente do Centro Regional de Distribuição da Copel, Artur Nishikawa, as interligações - ‘rabichos, gambiarras’ - conseguidas a partir de casas dos moradores do vizinho jardim Tarobá são irregulares porque não seguem as orientações técnicas e apresentam grande risco de graves acidentes. ‘‘Não é problema de faturamento, porque as interligações não são ilegais. Ninguém está deixando de pagar a energia consumida, que é registrada nos relógios dos vizinhos. O problema é que elas são de péssima qualidade e podem causar um acidente, inclusive fatal, a qualquer momento.’’
Milton DóriaO pedreiro Gonçalves: ‘Todos estamos muito preocupados no bairro’
A comerciante Vera Lúcia Motta Dias mora no loteamento há cinco meses, e teve a energia de sua casa desligada anteontem. Casada e com três filhos pequenos, ela se diz desesperada por ficar no escuro à noite. ‘‘Sem luz, não dá para fazer nada em casa. Quando volto do nosso sacolão, onde trabalho o dia inteiro, eu e meu marido temos que brincar com as crianças à luz de vela. Ontem mesmo minha filha Josiane, de 5 anos, se queimou com o fogo da vela. A situação está muito ruim.’’
Outro que não se conforma com a possibilidade do corte de sua energia, marcada para o dia 18 de setembro, é o pequeno empresário Waldemar Arndt. Ele montou no Tarobá 1, há cerca de dois meses, uma fábrica de móveis que emprega quatro trabalhadores. A energia elétrica que ele utiliza é puxada - através de fiação aérea sustentada por postes de madeira - da propriedade de um vizinho. ‘‘O problema é que a loteadora prometeu e não instalou a rede, com postes, fios e transformadores no padrão exigido pela Copel. Agora, recebo a carta da Copel dizendo que vão desligar tudo. Se isto ocorrer, vão inviabilizar meu negócio e terei que demitir meus empregados.’’
Milton DóriaO empresário Waldemar: ‘Terei que demitir meus empregados’
O pedreiro Beto Gonçalves mora no Tarobá 1 há oito meses. Casado e com dois filhos menores, ele também está ameaçado de ficar sem energia nas próximas semanas. ‘‘Todos estamos muito preocupados aqui no bairro. Tenho uma filha com um mês de idade, que está doente, não posso ficar sem luz à noite. Faz cinco meses que vou na loteadora pedir a instalação da rede, mas ela não resolve nosso problema’’, reclama Gonçalves, mostrando a interligação térrea irregular que garante, por enquanto, a chegada da energia em sua residência.
O loteamento pertence à Construtora e Loteadora Daher, que há cerca de dois anos começou a vender os terrenos. Ela teve o projeto de rede elétrica aprovado pela Copel em 4 de julho último, mas até ontem não iniciou a implantação. Procurado pela Folha, o proprietário da loteadora, Charles Daher, não quis conceder entrevista.

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