Dez presos violam regras de tornozeleira eletrônica
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sábado, 20 de dezembro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina Dois meses depois da adoção das tornozeleiras eletrônicas, dez presos do regime semiaberto do Centro de Ressocialização de Londrina (Creslon) violaram as regras e perderam o benefício de cumprir a pena em casa. Oito deles já voltaram para a prisão em regime fechado. Dois estão foragidos. Um deles, que cumpre pena por estelionato e furto, rompeu o aparelho. O outro deixou a casa sem permissão.
O diretor do Creslon, Reginaldo Peixoto, contou que quatro presos romperam o lacre da tornozeleira e seis se ausentaram de casa em dias e horários proibidos ou ultrapassaram o perímetro determinado. Peixoto informou que a unidade está com 162 presos equipados com as tornozeleiras e o resultado tem sido satisfatório. "Apesar de alguns casos pontuais, o índice de transgressões é baixo. A maioria está aproveitando a chance de ressocialização e não torna a cometer crimes", comentou. A primeira violação ocorreu em outubro, quatro dias depois da adoção da tecnologia. A última, há dois dias.
O diretor explicou que os requisitos para o preso ganhar o direito da tornozeleira são bom comportamento, estar próximo de obter a progressão de regime e estar há pelo menos seis meses no regime semiaberto. "Alguns deles, infelizmente, nos decepcionam, mas não vou dizer que me surpreendo. A tornozeleira não é feita para evitar fuga", comentou. Na tarde de ontem, a reportagem conversou com um detento de 26 anos que estava recebendo a tornozeleira. A três meses de cumprir a pena por tráfico de drogas, ele ressalta que a proximidade com a família é essencial para a ressocialização. "Vou aproveitar essa chance e nem penso em cometer outra besteira", garantiu.
FISCALIZAÇÃO EM TEMPO REAL
Os agentes penitenciários monitoram cada passo dos presos pelo computador. O ponto de localização e até a velocidade de deslocamento é apontada em tempo real na plataforma de mapas do Google. Todo o percurso fica visível na tela. "O preso sabe que ele ganhou uma chance, mas que nós temos total controle quando e onde ele vai", explicou. Qualquer tentativa de rompimento, um alerta é emitido para o sistema e para o celular do diretor em no máximo 25 segundos. "O sistema nos aponta a localização de onde ocorreu a violação. Em seguida, acionamos a polícia".
Peixoto destacou que vários presos com tornozeleiras têm conseguido emprego e estão refazendo a vida. "É muito bom este voto de confiança que os empresários estão depositando neles. Este é o primeiro passo para a ressocialização. A sociedade tem um grande papel nisto". A reportagem flagrou duas detentas na recepção do Creslon que aguardavam para ajustar a tornozeleira. Enquanto uma usava uma calça larga para esconder o aparelho, outra de minissaia disse não se importar. "Apesar de ser constrangedor em algumas ocasiões, a tornozeleira nos permite retomar nossas vidas. Isso é muito bom", disse a primeira.
As tornozeleiras começaram a ser usadas em Londrina, em outubro, por 22 presos. No começo deste mês já eram cem monitorados, até chegar aos atuais 162 presos. Além de monitorar os detentos com as tornozeleiras, o Creslon abriga 260 presos que trabalham durante o dia e retornam para dormir na unidade.


