Dez mil têm o vírus HIV e não sabem
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sábado, 01 de dezembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Londrina tem hoje 2.048 pessoas com o vírus HIV. Segundo o Ministério da Saúde, a cada pessoa que sabe que tem a doença existem outras cinco que desconhecem que estão contaminadas, o que totalizaria cerca de dez mil pessoas soropositivas que não realizaram o teste na cidade. Os números foram divulgados ontem à tarde, durante cerimônia de encerramento da campanha ''Londrina Fique Sabendo'', que informou a população da existência do teste rápido para detectar aids. Nesta semana foram realizados 133 exames, sendo que apenas um deu positivo. Ao longo do ano foram realizados 2.384 testes, resultando em 103 positivos - 76 homens e 27 mulheres.
O presidente do Núcleo Londrinense de Redução de Danos, Edson Facundo Tiba, informou que o desafio é despertar a consciência da sociedade e de órgãos públicos para a necessidade de adotar medidas efetivas de prevenção e também reforçar a solidariedade e a compreensão em relação a pessoas que vivem com o vírus. Ele convocou a população para a necessidade de realizar o teste rápido. ''Temos que trabalhar isso porque são dez mil pessoas que estão espalhadas pela cidade contaminando os outros'', alertou.
Tiba reforçou que hoje a aids não está mais restrita aos grupos de risco. ''A aids não possui mais cara e só o exame é capaz de identificá-la'', salientou. Ele relatou que há 26 anos descobriu que era soropositivo, doença contraída ao utilizar drogas injetáveis. Agora ajuda a educar e divulgar informações para conscientizar as pessoas.
A gerente do setor de DST/HIV/AIDS/Hepatites virais e Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde, Regina Cortez, explicou que se uma pessoa está infectada com o HIV geralmente leva dez anos para apresentar os sintomas. ''Quanto mais cedo a pessoa souber que está com o HIV consegue manejar melhor a doença e demora muito mais para adoecer'', esclareceu Regina. Ela também apontou a importância do controle de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), pois estudos indicaram que pessoas contaminadas com essas doenças têm mais risco de contrair o HIV. ''Pessoas com DST como a gonorreia ou a sífilis possuem 80% de chance a mais de serem infectadas pelo HIV'', expôs.
Ampliação
Em 2011, 94 pessoas foram diagnosticadas com a doença em Londrina. Frente a isto o Programa Municipal de DST-HIV-Aids-Hepatite Viral e Tuberculose de Londrina realizou o processo de descentralização dos testes rápidos para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e maternidades de Londrina e região, buscando ampliar o diagnóstico precoce. ''Antes tínhamos 12 unidades de saúde capazes de realizar o teste rápido e este ano expandimos para 36 unidades e realizamos um treinamento de reciclagem profissional para os funcionários das outras unidades'', explicou o secretário Saúde, Edson Antônio de Souza. Ele explicou que foram treinados cerca de 180 profissionais de saúde para execução dos testes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas maternidades.
Souza destacou que o sigilo para aqueles que desejarem realizar o teste é garantido e é o único exame que a pessoa pode realizar em uma UBS de outra região. ''A pessoa que mora na zona norte pode fazer o teste na zona sul'', exemplificou. Ele destacou que antes da realização do exame a pessoa assiste um filme educativo sobre a doença para que no caso de um resultado positivo já esteja informada sobre o assunto e saiba que é possível realizar um tratamento, com aconselhamento médico e acompanhamento de psicólogo e assistente social. O resultado sai em 15 minutos.


