Dez mil crianças sem imunização
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terça-feira, 25 de junho de 2013
Fernanda Carreira<br>Reportagem Local 
Pelo menos 10 mil crianças, ou 33% da população infantil de Londrina com menos de cinco anos, ainda não foram imunizadas contra a poliomielite. O baixo índice tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde, que na semana passada prorrogou a campanha de vacinação. A meta é atingir aproximadamente 30 mil crianças até o dia 5 de julho. Até o momento, foram imunizadas cerca de 20,1 mil crianças de seis meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.
De acordo com a coordenadora de Imunização da secretaria, Sônia Fernandes, a baixa procura ocorre em todas as regiões da cidade por três motivos: a erradicação da doença desde a década de 80 e o não entendimento dos pais da importância da vacina adicional; a confusão que muitos deles acabam fazendo entre a campanha contra pólio e contra a influenza, que ocorrem praticamente na mesma época; e a instabilidade do tempo na cidade.
"Nós temos um excesso de campanhas todo ano. Tem a campanha da gripe, logo na sequência a paralisia infantil e os pais, no fundo, acabam confundindo", reforçou Sônia. "Além disso, com essa chuva dos últimos dias, muitas mães preferem não sair de casa com os filhos e vão deixando para outro dia."
O que pode representar um grande risco para a saúde das crianças, segundo ela, visto que a vacinação é fundamental na prevenção contra a doença.
Para atingir a meta de 100% das crianças imunizadas no município, Sônia destaca que a secretaria está implementando ações com equipes do Programa Saúde da Família (PSF), como a busca ativa por crianças ainda não vacinadas, ao longo desta e da próxima semana. "Nosso intuito é que eles sejam orientados sobre os pontos de vacinação e a importância da vacina na prevenção da paralisia infantil", salientou a coordenadora.
O servente de pedreiro Ricardo André Pissoche, morador do Jardim Monte Cristo (zona leste), é pai de dois meninos, o menor com 9 meses de idade. Ele admite que o filho David ainda não foi vacinado contra a poliomelite. Isso porque o menino teve que receber doses de outras vacinas atrasadas. Ele, porém, garantiu que a partir de agora irá acompanhar com mais atenção a carteira de vacinação do menino.
"Eles nos orientaram sobre a importância de manter as vacinas em dia e é isso que eu e a mãe dele iremos fazer. Afinal, as vacinas e o mínimo que podemos fazer, como pais, é cuidar da saúde de nossos filhos", afirmou Pissoche.
Na contramão dessa baixa procura, o reciclador Celso Ricardo Generoso, também do Jardim Monte Cristo, conta que levou a filha Raissa, de 2, para receber a vacina ainda no início da campanha. "A carteirinha dela está sempre em dia, toda preenchida, acho que é por isso que ela é tão forte. A vacinação é um cuidado que faz a diferença", comentou.
Assim como ele, a vizinha, a dona de casa Ana Cláudia Silva dá o exemplo. "Já vacinei meu filho faz tempo e agora estou tranquila, porque mesmo que as outras crianças da creche não estejam vacinadas, ele está protegido. Espero que os outros pais se conscientizem logo também", acrescentou.


