Curitiba - Onde mais é possível ver policiais militares abandonarem por alguns instantes a rigidez da profissão e, mesmo vestidos com fardas, dançarem como crianças? A cena pôde ser vista ontem no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Curitiba, onde cerca de 10 mil alunos das redes pública e privada se formaram no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), ação da Polícia Militar entre crianças de 4 e 6 séries do ensino fundamental que tem como objetivo a prevenção contra todos os tipos de drogas.
A formatura faz parte da XIII Semana de Prevenção de Uso Indevido de Drogas (Previda), que neste ano como tema a mensagem ''Faça sua parte, exercite a vida''. Deixando um pouco de lado as formalidades, policiais brincaram com os alunos, comemorando a formatura de mais uma turma no programa, que, desde de sua implantação no Paraná em 2000, já levou a mensagem anti-drogas para 800 mil crianças em todo o Estado.
Em Curitiba, o projeto já foi implantado em mais de 400 escolas. Em todo o Estado, 223 municípios, ou 56% deles, têm presentes em suas salas de aula policiais militares aplicando o programa de prevenção. Ao todo, são 186 policiais em contato direto com as crianças nas classes. ''No Proerd, o policial é preparado para se tornar um educador social, trabalhando princípios básicos da prevenção primária contra as drogas. Na sala, procura passar alternativas positivas, além de lições de respeito e cidadania'', explica a tenente-coronel Rita Aparecida de Oliveira.
Ela diz que no quinto ano passado depois da implantação do Proerd, foi realizada uma pesquisa para avaliar, entre os os alunos participantes, quantos já tinham tido contato com as drogas. Segunda a tenente-coronel Rita, isso aconteceu com apenas 1% das crianças.
O programa é estruturado em 17 lições distribuídas em 10 semanas. Cada aula tem a duração de 45 a 60 minutos, sendo ministradas obrigatoriamente por um PM fardado. Presente em sala de aula junto do professor, o policial fortalece a ligação entre Polícia Militar, escola e a família.
''A imagem da polícia é transformada depois do contato. De figuras truculentas, com cara fechada, que as crianças têm medo, nos transformamos em amigos delas'', diz a sargento Tânia Gueirreiro, educadora social do Proerd há mais de cinco anos.
Além da festa, os alunos receberam um certificado de conclusão do curso. É uma forma de compromisso da criança para passar adiante a mensagem da prevenção de uso de drogas. E elas se comprometem. É o que diz o pequeno Bruno Tomé, de 10 anos, estudante da escola Municipal Nivaldo Braga. ''Eu acho legal o programa por que a gente aprende que não precisa da droga para ser feliz'', diz. ''Vejo essas crianças como multiplicadoras de exemplos positivos. Elas estão na linha de frente do combate das drogas. Tenho certeza: dessas 800 mil formadas até hoje, nem 1% vai usar drogas'', garante sargento Tânia.

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