Dez meses após decreto, lixo no chão ainda é problema
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Basta uma volta pelo centro de Londrina para notar que descartar lixo no chão continua sendo um mau hábito dos londrinenses. Papéis de bala, cartazes e bitucas de cigarro estão por todo lado emporcalhando ruas e calçadas. O que pouca gente ainda não sabe é que jogar qualquer tipo de lixo em vias públicas pode gerar multa.
Há dez meses, entrou em vigor o decreto 385, de 31 de março de 2015, que regulamenta as ações de fiscalização da lei 11.468, de 2011. Desde então, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) e a Guarda Municipal, responsáveis pela fiscalização, estão aptas a aplicar sanções que variam de R$ 100 a R$ 3 mil, de acordo com a gravidade da infração.
Mas o que se pode ver é que, além do desconhecimento, grande parte das pessoas também não se intimida diante da nova regra. A reportagem da FOLHA flagrou pessoas descartando lixo no chão sem a mínima preocupação. Ao ser indagada se sabia que acabara de infringir uma lei, uma senhora, já com mais de 50 anos, respondeu negativamente e justificou-se pela falta de lixeiras.
Há quem diga que nunca nem ouviu falar do decreto. É o caso do eletricista Agnaldo Félix. "Sabia que existia no Rio de Janeiro, mas não em Londrina", diz. Mesmo assim, garante que faz o papel de bom cidadão. "Costumo, inclusive, recolher lixo do chão. É um ato que faz bem, deixa a cidade mais limpa. É uma pena que ainda existam pessoas que jogam lixo no chão em pleno 2016. É uma falta de respeito muito grande com as outras pessoas", reclama o eletricista.
A zeladora e costureira Filomena Rufino diz que conhece o decreto, mas acredita que ele não foi suficiente para intimidar quem está acostumado a sujar as ruas de lixo. "Ainda vejo muita gente jogando (lixo no chão). É um baita de um mau exemplo, pois suja o meio ambiente, entope os bueiros, é o caos. Tem gente que passa ao lado da lixeira e não tem capacidade de esticar o braço e jogar o papel no lugar correto", comenta.
A CMTU admite que, por falta de um contingente maior, encontra dificuldades para fazer a fiscalização. Por outro lado, informa que tem focado o seu trabalho mais na conscientização da população. "Temos trabalhado em ações pontuais, em conjunto com a Guarda Municipal, principalmente, no Calçadão, é onde a gente tem focado esse programa por causa do maior fluxo de pessoas", explica o diretor de operações da companhia, Fernando Porfírio.
De acordo com o diretor, as ações são realizadas em datas pré-determinadas pela CMTU, que monta um estande no local com pessoas especializadas para orientar sobre o descarte correto do lixo. Porfírio cita ainda que a equipe da Guarda Municipal também recebeu um treinamento da CMTU para colaborar na missão. Para reforçar o trabalho de conscientização, o diretor lembra que a CMTU instalou placas de orientação nas principais vias da cidade.
Até o momento, não houve nenhuma autuação, mas a companhia confia que as ações de conscientização têm surtido efeito. "A gente nota que, gradativamente, tem aumentado o apoio por parte da população. As pessoas têm aderido ao programa, a gente nota na limpeza pública do município. Tem diminuído a quantidade de lixo que é recolhida das ruas", frisa o diretor. Ainda não há previsão para que a CMTU passe a multar as pessoas que forem flagradas descartando lixo no chão.