''Tradição de família e fé''. Esses são, na opinião do poeta e folclorista Franscisco Garbosi, 65 anos, os dois principais motivos que ainda sustentam os grupos de Folia de Reis. Ele é lider e ''embaixador'' do grupo Mensageiros da Paz, um dos mais tradicionais de Londrina.
Garbosi diz que atua na Folia de Reis desde os três anos de idade. O amor pela atividade, associado ao desejo de não deixar morrer a tradição, o levou a escreveu um livro, publicado em 1994, sobre o assunto: ''História, mensagens e embaixadas de Folia de Reis''. O livro foi reeditado em 2002. Este ano, Garbosi, conclui um projeto cultural para gravar um CD com os hinos e toadas cantados pelo grupo.
Desde a madrugada do dia 25 de dezembro eles saem todos os dias em peregrinação pela cidade, numa celebração ao caminho percorrido pelos três reis magos, de seus países de origem até a gruta de Belém, para adorar o Menino Jesus. Os reis magos, continua Garbosi, deveriam ser considerados os primeiros santos da fé católica, pois foram eles os primeiros a reverenciarem o Menino Deus.
Durante a peregrinação eles cantam diversos hinos e toadas baseadas na Bíblia que falam sobre as profecias, o nascimento de Jesus, a anunciação à Virgem Maria, a viagem e a adoração dos magos. ''Batemos nas portas das famílias pedindo permissão para entrarmos em suas casas levando mensagens de paz'', resume.
Garbosi diz que a maioria das famílias visitadas já os conhecem e também mantêm a tradição de recebê-los. ''No clima de insegurança em que vive a sociedade, as pessoas têm medo de abrir as portas para desconhecidos'', lamenta.
Após cada apresentação, que dura em média 15 minutos, eles pedem ofertas aos donos das casas, que podem ser dinheiro ou alimentos. Pela tradição, as doações deveriam ser utilizadas para bancar uma grande festa de encerramento, nz terça-feira. O dia 6, seria o mesmo em que os reis magos chegaram de volta às suas terras e celebraram com seus povos o nascimento do Salvador. Os Mensageiros da Paz, entretanto, preferem fazer apenas um jantar para os integrantes e repassar as doações para famílias carentes, garante Garbosi.
A Folia de Reis, explica, teria surgido na Espanha, no início do século 18. No Brasil, ela foi trazida pelos portugueses, mais precisamente pelo padres jesuítas, cem anos depois do descobrimento. Hoje, adaptada ao ''jeitinho brasileiro'' ela está entre as principais atividades da cultura popular ou do folclore. Minas Gerais, segundo ele se tornou o berço da celebração, e se destaca como a principal dança do ciclo natalino.
Nos estados do Sul, afirma, a devoção é menor. Em Londrina, segundo ele, existem 8 grupos de Folia de Reis, mas um deles, o do distrito de Guaravera, não está se apresentando pela falta de componentes. ''Fazemos intercâmbio cultural com 9 estados do Brasil'', garante.

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