'Devemos respeitar a decisão do aluno'
Curitiba Entre os professores do Colégio Estadual Ivonete Martins de Souza, em Piraquara, o coro foi um só: de que o curso ''Educando Para a Diversidade'' é a primeira oportunidade de conhecer e discutir profundamente a questão da homossexualidade na escola. ''É um assunto polêmico. Como fazer o aluno e os pais aceitarem conversar sobre isso? Estamos lidando com uma discriminação que é cultural também'', pontua a diretora auxiliar, Eleonora Butzke, 47 anos. ''Na capacitação vimos que todos os professores enfrentam dificuldades e que existe muita curiosidade. Já era hora de trabalharmos esse assunto na escola com seriedade'', opina.
A escola, que oferece ensinos Fundamental e Médio para quase dois mil alunos, merece destaque por possuir 17 professores participando do curso, enquanto a maioria das escolas está com apenas um docente. ''O grupo está em busca de avanço profissional e cultural, além de ser uma necessidade demandada pela própria realidade. Os alunos chegam até nós reclamando sofrer com o homofobismo'', expõe o vice-diretor e professor de Matemática e Biologia, Gibson Troya Saes, 31 anos. ''Ganhamos mais embasamento teórico e prático para trabalhar com adolescentes e crianças. Ainda não começamos a aplicar na escola, só depois do segundo módulo. Mas vamos optar por um abordagem mais geral da discriminação, desde da racial a de crenças'', antecipa Gibson.
Outro motivo para o colégio comemorar foi o interesse de professores de diversas disciplinas pelo curso. ''É comum acontecer esse tipo de associação. Mas na universidade a gente aprende a parte biológica do sexo e a sexualidade é muito pouco discutida. Na capacitação, muita coisa foi novidade para mim. Agora me sinto mais seguro com o tema'', disse o professor de Biologia Paulo Henrique Mueller, 32 anos. Os professores apostam que em posse das ferramentas adquiridas no curso é possível modificar o comportamento do aluno. ''Não que agora sejamos expert no assunto, mas ganhamos um direcionamento. Devemos respeitar a decisão do aluno quanto à sua sexualidade e nem mesmo devemos incentivá-los a fazer alguma escolha. O sexo a gente nasce com ele. A sexualidade é uma opção'', ensina Mueller. (F.G.)





