Mauricio Della Barba
De Londrina
O Departamento de Trânsito (Detran) iniciou ontem uma ‘‘blitz’’ em todos os centros de formação de condutores, as conhecidas auto-escolas, de todo o Paraná. A ação é em virtude de denúncias que apontam fraudes em algumas empresas que realizam os cursos para novos motoristas.
‘‘Vamos fazer um verdadeiro pente-fino em todos os 409 centros de formação existentes no Estado. Não se pode admitir fraudes na concessão de novas carteiras’’, disse o diretor geral do Detran, César Roberto Franco, que esteve ontem na cidade. A blitz, que teve início em Londrina, deverá ser estendida a todo o Estado.
As fraudes citadas pelo diretor do Detran se referem à entrega do certificado do curso ao aluno que não cumpriu a carga horária de treinamentos teórico e prático. ‘‘Para baratear o preço do curso, alguns centros diminuem as horas de treinamento. Isso é injusto para as outras que gastaram na ampliação da estrutura, como salas, pessoas e veículos’’, disse. Atualmente o Código de Trânsito Brasileiro designa uma carga horária de 30 horas de aulas teóricas e mais 15 de práticas.
O diretor também citou as ‘‘falhas’’ do atual código. ‘‘Apesar de ter proporcionado uma queda no número de acidentes, o código ainda traz algumas falhas que devem ser revisadas e melhoradas’’. Entre elas, Franco citou o fato do motorista ter suspensa a carteira quando ultrapassar em 50% a velocidade máxima exigida no local.‘‘Se alguém passa a 46 km/h em um local onde o máximo permitido é 30 km/h não pode ter a carteira suspensa’’, afirmou. ‘‘É claro que deve ser multado e penalizado com pontos, mas não ser punido de forma extrema’’.
Outra crítica feita por Franco atinge a Câmara Federal. ‘‘Existem cerca de 104 propostas em tramitação no Legislativo. A maioria delas não conta com estudo técnico e pode complicar ainda mais o código’’, disse. A solução apontada por Franco é listar todos os problemas detectados para depois, de uma só vez, alterar o código. ‘‘É preciso ter bom senso na definição de leis’’.
Franco apresentou também dados que mostram a queda nos acidentes de trânsito no Paraná. Em 1997, a cada 10 mil veículos, houve 396 acidentes contra 358 ocorridos em 1998. Em Londrina, esse número caiu dos 401 para 371 acidentes.
O número de mortes em acidentes, apesar de ter diminuído em todo o Estado (caiu de 4,51 em 97 para 3,25 mortes em 98, a cada 10 mil veículos), aumentou em Londrina. Em 97 foram constatadas na cidade 5,76 mortes contra 6,21 no ano passado. ‘‘Isso quer dizer que os acidentes, apesarem de serem em número menor, foram mais graves’’, explicou.

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