O Departamento de Trânsito (Detran) vem registrando uma média diária de duas a três queixas de pessoas que denunciam clonagem da placa de seus carros. Os registros do Detran são restritos de Curitiba, onde motoristas estão sendo multados por carros similares, que usam ilegalmente a sua identificação. No mês passado o Detran recebeu 25 registros. Já a Diretoria de Trânsito (Diretran) – órgão municipal da Caital que também cuida do trânsito – contabilizou três casos concretos, do começo do ano até ontem.
O número de ocorrência é considerado baixo pelo diretor da Diretran, Francisco Andreata, mas ele entende que a situação causa grande dor de cabeça. Andreata não soube informar quantas das três queixas diárias acabam tendo comprovadas a duplicidade de placa. Porém ele acrescentou que os órgãos de trânsito adotam o bom-senso quando se descobre a clonagem. ‘‘Depois de uma avaliação cuidadosa, é abonada as multas de quem foi prejudicado injustamente’’, afirmou.
No entanto, para comprovar a inocência, o motorista é obrigado a juntar provas contrárias. ‘‘As diferenças físicas dos veículos ou sinais específicos dos carros são algumas das justificativas’’, explicou a diretora de fiscalização de trânsito da Diretran, Léa Hatschbach. Para comprovar essas desigualdades dos carros, o motorista precisa levar o veículo ou uma foto do carro até o Detran ou Diretran.
Recentemente, o diretor da Sociedade de Preservação da Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Borges, teve que mostrar essas diferenças em seu Golf branco. O carro vinha sendo multado por excesso de velocidades em regiões da cidade, onde normalmente Borges não frequenta. ‘‘Perdi meu tempo, dinheiro e fiquei desamparado sem apoio oficial para enfrentar os fraudadores’’, disse.
Borges terá que ainda registrar uma queixa na Polícia Civil, que deve investigar quem clonou seu carro. Por causa disso, ainda terá que mudar de placa, para não ser pego nas blitzes, já que estão procurando um carro similar ao seu e com a mesma placa. ‘‘Se o criminoso for preso, terá o veículo apreendido, junto com sua carteira, e pode responder por processo criminal, que pode resultar em pena de cinco anos’’, adverte o assessor jurídico do Conselho estadual de Trânsito, Marcelo Araújo.