O Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná vai investigar as Ciretrans de várias cidades onde foram feitos nos últimos meses muitos pedidos de transferência da Carteira Nacional de Habilitação (CNHs) de outros Estados para o Paraná. O Detran suspeita que as transferências façam parte de um esquema de fraude semelhante ao que vinha sendo praticado na 20ª Ciretran de Umuarama. Semana passada, o Detran fechou dois Centros de Formação de Condutores (CFCs) na cidade, cassou a licença de instrutores e afastou um funcionário da Ciretran. Cerca de 50 carteiras frias foram canceladas e os motoristas responderão a processo criminal.
Pelo menos 50 carteiras foram transferidas de Rondônia e de Mato Grosso do Sul para Umuarama, sem que os motoristas tivessem feito o processo de habilitação. Alguém inseria um prontuário falso no banco de dados do Detran daqueles Estados. Posteriormente, o beneficiário entrava com pedido de transferência, renovação ou segunda via, fornecendo endereços falsos para o Detran expedir nova carteira. Quarenta carteiras foram feitas com inserção de prontuários falsos no sistema. Outras 10 carteiras foram expedidas a partir de habilitações canceladas no Detran, cujos nomes e dados foram alterados.
O funcionário da 20ª Ciretran Jean Carlos Ceranto Garutti confessou ter descoberto a senha do chefe da Ciretran, Amantino Cerci, e que entrava nos cadastros e alterava os dados. Disse ainda que o mesmo tipo de fraude é praticado em várias outras cidades do Paraná. Em Guaíra, por exemplo, foram feitas este ano 202 transferências de Rondônia e Mato Grosso do Sul. Em Umuarama, foram 50 transferências. A Coordenadoria de Inspeção e Auditagem (Coia) está investigando, mas não dá informações para não atrapalhar o trabalho. Os Detrans de Mato grosso do Sul e de Rondônia também estariam investigando a participação de funcionários no esquema.
Em Umuarama, muitos processos irregulares foram encaminhados pelos CFCs Alfa e Alfa 2 e também pelo funcionário do CFC Grand Prix Ozéias Cícero da Silva. Segundo a Coordenadoria de Inspeção e Auditagem (Coia) do Detran, os envolvidos cobravam de R$ 400 a R$ 1.000 por cada carteira. O Detran cassou a licença dos diretores do CFCs Alfa e Alfa 2 Wanderlei Bispo Oliveira e Rosângela Carvalho de Oliveira, dos funcionários do Alfa Robson da Silva Janeiro e Ariovaldo Beserra de Lemos e de Oséias Silva (CFC Grand Prix).
O diretor do CFC Alfa, Wanderlei Bispo da Silva, disse ontem que está sendo perseguido politicamente. ''Fomos punidos sem provas e por outras irregularidades as quais provamos não ter havido má-fé, enquanto o Grand Prix recebeu apenas uma advertência pelo envolvimento do funcionário'', reclamou. Segundo Silva, os processos irregulares não passaram pelo CFCs. Eram encaminhados ''por fora'' pelo diretor de ensino Robson da Silva Janeiro. O diretor-geral Silva disse que demitiu o diretor em abril, assim que foi alertado sobre o problema. O diretor-geral do CFC disse que vai recorrer da punição.

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