Detran afasta chefe em Foz do Iguaçu
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) afastou ontem, por tempo indeterminado, o chefe da 16ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Foz do Iguaçu, Jorge Roberto Machado Portinho. A decisão foi tomada depois de concluir a sindicância que investiga o possível envolvimento de funcionários do órgão com uma quadrilha que falsificava carteiras de motorista paraguaias para a obtenção do documento similar brasileiro, sem que o candidato fosse submetido ao teste prático de direção e ao exame de legislação de trânsito.
Outros três funcionários da Ciretran de Foz Joel Barros, responsável pela vistoria de veículos; Luis Carlos Pescador, supervisor da área de veículos; e Solene Dias de Souza, chefe do setor de habilitação também foram afastados. O Detran suspendeu ainda, pelo prazo de oito meses, as atividades das auto-escolas Ortega, 88 e Brito, e dos instrutores Júlio Ricardo Arenhart, Nilso Teodoro da Silva, Sionice Pereira de Brito e Olavo Luiz Zenni Filho.
No lugar de Portinho, foi nomeado, anteontem, interinamente Valmir Antonio Moreschi, que responde pela 1ª Ciretran de Curitiba. Junto com ele, vieram também mais três técnicos que terão a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho.
Procurada pela Folha, a direção do Detran não forneceu informações sobre os motivos pelos quais esses funcionários foram afastados. Os funcionários e os demais envolvidos também não foram localizados. Apenas o diretor-geral da auto-escola Corujão, Luiz Miguel Crocoli, afirmou que a notícia o pegou de surpresa e disse não saber explicar os motivos da suspensão que, segundo ele, é de apenas 30 dias.
Nada posso dizer sobre a situação desses funcionários. Eles estão apenas suspensos e talvez até retornem às suas atividades normais, afirmou Moreschi. Ele também não informou se alguém poderá vir a ser responsabilizado criminalmente.
As investigações, feitas em conjunto com o Ministério Público sobre a suposta fraude nas carteiras de habilitação tiveram início em maio, quando surgiram as primeiras denúncias sobre o esquema fraudulento. Conforme a denúncia, brasileiros interessados em obter a carteira sem passar pelos testes estariam comprando carteiras paraguaias falsas.
Um convênio firmado entre Brasil e alguns países sul-americanos, entre eles o Paraguai, permite a emissão da carteira sem a exigência dos testes para o candidato que já tem o documento em seu país de origem. Nesse caso, o órgão brasileiro exige a apresentação da carteira de habilitação estrangeira, carteira de identidade, CPF, foto e tradução oficial do documento. De acordo com o novo código de trânsito o candidato faz apenas os exames médico e psicotécnico.





