Detido por direção perigosa diz estar sendo perseguido pela PM
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Paulo Ubiratan 
Paulo WolfgangDefesaAntonio Rodrigues dos Santos: Eu já paguei pelo que cometiO aposentado e deficiente Antonio Rodrigues dos Santos, 44 anos, diz que está sofrendo perseguição de policiais militares em Londrina. Eu já paguei pelo que cometi, prestando trabalho em diversas entidades assistenciais, como a Justiça mandou. Depois que atropelei por acidente duas moças na (avenida) Dez de Dezembro, a Polícia Militar não me deixa em paz. Segundo o aposentado, as duas moças - que morreram - eram irmãs de um comandante. O acidente aconteceu em 1986 e seria o motivo das perseguições.
No início do mês, ele foi preso por policiais militares na direção de uma caminhonete. O teste do bafômetro acusou 2,6 ml de álcool no sangue. Segundo a polícia, Antônio Rodrigues estava quase em estado de coma alcoólico, conforme escala estipulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Ele contestou que estivesse tão embriagado, alegando ter tomado apenas uma dose de uísque.
O que mais revoltou o aposentado foi a sua prisão. Rodrigues disse que os policiais militares invadiram a sua casa na Rua Chile, 94, (área central) e o prenderam no quarto quando estava dormindo. Fui acordado com tapas no rosto e me colocaram à força no interior da viatura policial, afirmou o aposentado.
Segundo a Polícia Militar, o aposentado ficou com problemas físicos depois de ter levado um tiro na perna esquerda durante uma perseguição. Ele dá outra versão: Fiquei com o problema na perna por causa de acidente de trabalho. Eles (polícia) disseram que me feriram porque eu estaria fazendo tráfico de drogas. Isso é uma mentira, Trabalho desde pequeno, nunca roubei e nunca mexi com drogas. Nasci em Londrina e tenho raízes nesta cidade. Todos me conhecem como pessoa honesta. O aposentado está com a sua carteira de habilitação suspensa pelo Departamento Nacional de Trânsito.
Antônio Rodrigues alega que, do ano passado até esta última confusão, é a terceira vez que foi preso por direção perigosa. No episódio mais recente, o aposentado foi perseguido pela polícia e, segundo a PM, acabou batendo em cinco carros e um poste. Rodrigues contesta afirmando que bateu em apenas dois carros e no poste. A caminhonete que o aposentado estava dirigindo estava registrada em nome do filho, Fernando Rodrigues do Santos. Pela última vez fui preso e apanhei da polícia. A partir de agora vou reagir até as últimas consequências.
O subcomandante do 5º BPM, major Manoel da Cruz Neto, afirma que a polícia não está perseguindo Antônio Rodrigues. O major confirma que as vítimas de atropelamento - Sílvia Gianetti e Ivone Pereira de Souza - eram irmãs de um soldado da PM que há mais de três anos esta fora de Londrina. O major diz: Não tem cabimento este senhor dizer que a polícia está fazendo perseguição. Apenas fazemos a nossa parte, para que ele não cometa mais loucuras no trânsito.


