Cascavel - A Federação da Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) do Paraná notificou, ontem, oficialmente, o procurador da entidade em Cascavel, Sérgio Vulpini, sobre a intervenção na escola do município. A medida foi tomada com base num relatório feito por uma comissão nomeada pela Federação, que detectou uma série de irregularidades administrativas que teriam sido cometidas pela atual direção da entidade. Uma segunda comissão, com membros da Federação, foi formada para administrar a entidade enquanto a questão não estiver resolvida.
O procurador-geral da Federação das Apaes, Carlos Cogo, e o presidente da comissão de verificação, Emílio Mubrey, foram os responsáveis por comunicar a decisão. Segundo Cogo, a Federação tem autonomia para pedir a intervenção. De acordo com ele, a medida teve o respaldo da Secretaria de Estado da Educação. ''Nós não queremos criar conflito com a atual direção, mas restabelecer a ordem na Apae de Cascavel'', disse.
A auditoria apontou irregularidades que vão desde a contratação de funcionários até desvio de finalidade de recursos públicos. A investigação constatou que uma parte dos R$ 125 mil repassados pela União e pela prefeitura de Cascavel, para construção de um centro profissionalizante, foi utilizado para o pagamento de funcionários.
Insatisfeitos com a decisão da Federação, um grupo de funcionários e pais de alunos realizou uma manifestação ontem, no centro de Cascavel. Segundo Eliana Braganholo Fonseca, mãe de uma aluna, os representantes da Federação deveriam ouvir a opinião dos pais antes de determinar a intervenção. Ela defendeu a presidente Roseli Vascelai, afastada do cargo. ''A escola mais parecia uma creche. Ela tentou melhorar e fizeram isso com ela'', reclamou.
Roseli não quis se pronunciar sobre a decisão da Federação. Mas, na última semana, ela concedeu entrevista negando as irregularidades e se dizendo vítima de perseguição dentro da escola. Roseli comentou que a campanha começou quando cortou as gratificações de funcionários que ganhavam salários acima da média das demais Apaes do Estado.
O procurador da Apae no município afirmou que, há cerca de um mês, havia aconselhado a presidente a renunciar do cargo por causa das irregularidades.

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