Detentos tentam fugir do 5º Distrito Policial
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domingo, 11 de julho de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Doze detentos do 5º Distrito Policial (DP) de Londrina (Zona Norte) ameaçaram fugir no final da tarde de sábado. Segundo o carcereiro de plantão, eles serraram a grade da cela, por volta das 18 horas, e permaneceram no corredor até a chegada do Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) e do delegado Marcelo Sakuma. ''Não podemos classificar como uma tentativa de fuga porque não havia um plano arquitetado'', afirmou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Divisão Policial (SDP), Jurandir André.
Na operação pente fino, os policiais militares encontraram serras e pedaços de ferro. Os presos serão processados por danos ao patrimônio público e distribuídos pelas cinco celas restantes até que a outra seja reformada. ''Onde cabem quatro ou cinco homens vivem até 12 pessoas. Hoje, o distrito abriga 61 detentos, mas há duas semanas eram 76'', disse o carcereiro, que preferiu não se identificar.
A precariedade das cadeias e a superlotação dos distritos de Londrina preocupam o coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Gelson Gil. Na opinião dele, a população está apática porque ignora o risco que corre. ''Será preciso acontecer uma tragédia para que as autoridades tomem alguma providência. A insegurança é um problema antigo em nossa cidade que nenhum governo decidiu resolver'', reclamou Gil.
O delegado-chefe da 10 SDP acredita que o melhor aproveitamento da Casa de Custódia poderia ser a solução. Segundo ele, o local possui espaço suficiente para desafogar os distritos que abrigam, em média, 13 pessoas por cela. ''A Casa de Custódia mantém, no máximo, cinco detentos em cada cela. Aumentando esse número para oito não haveria superlotação em Londrina'', afirma Jurandir André. Ele lembra que a responsabilidade pela segurança é da secretaria de Estado da Justiça e não da secretaria de Segurança Pública. ''É uma obrigação estabelecida por lei. O que falta é a pasta assumir suas incumbências e, caso demore muito, teremos que acionar o Ministério Público'', completou.
O Centro de Detenção, prometido pelo governo estadual, é outra alternativa citada pelos entrevistados para resolver a situação. Gil, porém, não acredita que ele seja construído ainda este ano devido ao embaraço burocrático que, normalmente, envolve a liberação de verba para obras públicas. ''O governo garantiu nove presídios para o Estado. No momento, um deles está em construção na Capital. Espero que o próximo seja o nosso'', finalizou André.


