ArapongasCinco presos da 30 Delegacia Regional de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) iniciaram rebelião na manhã de ontem. Armados com estoques, eles renderam dois agentes da Polícia Civil e tentaram fugir. Era dia de visitas e dezenas de familiares acompanharam a movimentação, do lado de fora da delegacia.
Segundo a polícia, a ação começou por volta das 9 horas e não durou mais do que cinco minutos. O investigador Pedro Aquino e o escrivão José Alves Camargo foram rendidos quando preparavam os detentos para a visitação. Quatro deles agarraram os agentes, tomaram chaves e tentaram abrir as portas das celas, sem sucesso. Toda a companhia da Polícia Militar (PM) foi acionada. De acordo com o aspirante da PM Gustavo Rodrigues da Costa Silva, os presos rebelados não resistiram à intervenção da polícia e entregaram as armas. ''Logo depois constatamos que já havia cinco grades serradas nas celas de acesso à saída'', relatou.
Um funcionário da delegacia informou que em quase todas as vistorias são descobertas armas entre os detentos. Na revista realizada na última sexta-feira, foram encontrados dois estoques. Ainda de acordo com o funcionário, que pediu para não ser identificado, as armas são improvisadas com pedaços de ferro remanescentes da reforma feita na delegacia. Depois de controlar a ação dos presos, a PM apreendeu mais três estoques e cortadores de unha que também seriam usados em tentativas de fuga. A última rebelião de grande porte na Delegacia de Arapongas ocorreu em 2000, quando os detentos destruíram parte da cadeia.
Em frente à delegacia, parentes dos presos estavam apreensivos. A desempregada Ana Paula Nogueira, 20 anos, irmã de um detento, relatou que soube da rebelião ao sair de casa. ''O mototaxista me contou. Eu já estou acostumada, eles sempre se rebelam. Está muito cheio aí dentro'', assinalou. A dona de casa Maria de Lurdes Vieira, 68, foi ver o filho e se deparou com várias viaturas no local. ''Mas eu não ouvia barulhos vindos de dentro. Não fiquei preocupada porque me fio em Deus'', disse.
A carceragem da delegacia vive em constante superlotação. Com 50 vagas, a cadeia abriga 70 presos. Dos cinco que se rebelaram ontem, três eram condenados. ''Não houve rebelião. Eram apenas alguns detentos que queriam sair da cadeia a todo custo. Os outros ficaram quietos'', amenizou o delegado interino Édimo José Ermenegildo. O grupo exigia a transferência para outras cidades, alegando ameaças de morte dentro da delegacia.
O fato acabou agravando o problema da superlotação em Londrina. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, esteve no local e acertou a transferência de quatro presos para o 5º Distrito Policial (DP) de Londrina e um para a cadeia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). ''Só a título emergencial, para possibilitar o conserto das celas'', explicou André. O vice-diretor da Casa de Custódia de Londrina (CCL), major Raul Vidal, confirmou que a Polícia Civil fez contatos com a instituição para transferir os detentos de Arapongas, mas o pedido foi vetado pelo juiz corregedor. A CCL tem um excedente de 146 detentos. O 5º DP passa a ter 29 presos.
Os detentos Ricardo Martins dos Campos, 20 anos, Edmar Rodrigues de Oliveira, 19, Edson Pereira Dutra, 22, Euripes dos Santos Júnior, 21 e Alison Ricardo Hundsdorfer, 24, vão responder por tentativa de fuga mediante violência. A pena deles pode ser aumentada de três meses a um ano de detenção.

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