Detentos são soltos por falta de espaço
O problema é tão grave em Curitiba que, em algumas delegacias, os presos que cometem crimes considerados leves (como furto de documentos, embriaguez ou uso de tóxico) acabam sendo liberados em menos de três horas. Estamos procurando evitar prender as pessoas que não trazem qualquer tipo de periculosidade á sociedade, afirma o delegado adjunto do 5º distrito policial, Luiz Gonzaga.
Em alguns distritos de Curitiba, os presos acabam se acomodando da forma como podem. No 8º distrito policial, hoje com 90 presos e capacidade para 40, os detentos tiveram que sentar no chão e procurar uma posição para não ter que dormir em pé. Na época, a cadeia comportava 107 presos. O problema é que não podemos recusar os presos, eles precisam ficar nas celas, diz Kioshi Hattanda, delegado titular.
Além do problema da superlotação, os delegados reclamam que os investigadores acabam tendo, muitas vezes, que deixar de cuidar dos inquéritos para se preocupar com a vigilância das celas. Os policiais deixam de ser investigadores para trabalhar como assistentes sociais dos presos, afirma Jeferson Raposo de Melo, do 7º distrito policial.
Segundo o secretário estadual da Justiça e Cidadania, José Tavares, os delegados têm razão de reclamar. Ele mesmo está tentando conversar com juízes criminais para agilizar a implantação de penas alternativas no Estado. Ainda são poucos os juízes e promotores que pensam nas penas alternativas, mas temos que nos modernizar para evitar prisões banais, afirma. De acordo com ele, o que falta ainda é uma mudança de cultura. Precisamos aprender que as pessoas que cometem crimes leves não são nocivas ao convívio social e merecem uma segunda chance, diz Tavares. (L.P.)





