Apucarana O minipresídio de Apucarana tem um problema comum no sistema prisional paranaense: a superlotação. Na noite de anteontem, boa parte dos 157 homens confinados na unidade o prédio foi construído para abrigar no máximo 80 detentos supostamente se revoltaram com a situação e deram trabalho à tropa de choque da Polícia Militar, convocada no final da noite para conter os ânimos.
Por volta das 22h30, os presos começaram a fazer barulho, usando as grades das celas. Em seguida, passaram a juntar todo o papel e papelão espalhados na cadeia, além de rasgarem os forros dos colchões. Segundo a polícia, com o material, eles fizeram algumas fogueiras, assustaram os funcionários e os colegas de celas que não aderiram à manifestação.
O reforço policial foi chamado e a situação foi acalmada com certa rapidez, de acordo com o delegado Acácio de Azevedo. Não houve registro de feridos no incidente. A situação foi acompanhada pelos promotores e pelo juiz criminal da comarca.
Até o final da tarde de ontem, a Polícia Civil ainda não tinha conhecimento das reivindicação dos rebelados. ''Eles não pediram nada em especial'', afirmou o delegado. A tese de Azevedo é que alguns detentos que voltaram à unidade depois de um certo tempo em liberdade promoveram a baderna como ''demonstração de força''. Segundo Azevedo, ''há um jogo de poder entre os presos e o motim indica quem são os cabeças entre eles''.
O clima no minipresídio estava tenso desde uma revista de rotina realizada à tarde. Na chamada contagem de presos, um agente de segurança foi atingido por água quente. De dentro da cela, o preso usou uma pequena panela para arremessar a água, atingindo o pescoço e o tórax do agente, que caminhava pelo corredor. Os ferimentos foram leves. Os nomes da vítima e do agressor foram mantidos em sigilo.
De acordo com o delegado, seis presos devem ser transferidos nos próximos dias. Nos casos dos apenados, haverá a tentativa de colocá-los em uma penitenciária. É mais provável que os que aguardam julgamento sejam removidos para alguma delegacia da região. ''Esperamos que a situação seja definitivamente controlada com a transferência dos cabeças da rebelião'', aposta o delegado.
O mais preocupante é a fragilidade das delegacias próximas a Apucarana. Em Califórnia, Cléber Junior Cheriti, 21 anos, e Rodrigo Bernardes, 22 anos, ambos condenados por roubo, fugiram na madrugada de anteontem após serrarem oito barras de ferro do solário. Eles estavam na cadeia havia menos de um mês. A polícia ainda não tem pistas do paradeiro da dupla.
Em Faxinal, Claudemir da Silva, 26 anos, condenado a 23 anos de reclusão por homicídio, também fugiu serrando as grades da janela da cela em que estava durante a madrugada. Ainda não há pistas do fugitivo. Tanto no caso de Califórnia quanto no de Faxinal, os policiais acreditam que os fugitivos aproveitaram o ruído da chuva para executar o plano de fuga.

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