Detentos não podem ler
cartas e ver familiares
José SuassunaPreso por roubo, Clóvis tomou água com sal para curar gripeNas celas dos distritos policiais de Curitiba, não faltam reclamações a serem feitas. Não há advogados, a comida é fria e sem variedade, e as instalações sanitárias são péssimas. Os detentos não têm direito de conversar com os familiares ou de ler cartas dentro das celas.
O condenado Air, de 33 anos, diz que come diariamente arroz e feijão. Nos dez meses em que está na delegacia, ele não teve direito de conversar com os seus familiares. Air divide o cubículo com outros dez presos e dorme num colchão cedido pela família.
O maior problema é enfrentar o frio deste inverno. ‘‘Se depender do Estado, a gente vai morrer de frio aqui’’, afirma ele. Como condenado, Air sonha na remissão da pena com a possibilidade de trabalho. Clóvis, de 25 anos, nem sabe ao certo o que está fazendo na prisão. Ele conta que sonhava em ser jogador de futebol e resolveu roubar uma chuteira. O roubo lhe rendeu a prisão e fez com que ele despertasse do sonho de ser um ídolo do Coritiba Foot Ball Club. Agora, ele sonha apenas em deixar a prisão. ‘‘Eu cheguei a ficar doente aqui, peguei uma gripe e consegui me curar sozinho. Tomei água e sal porque aqui não tem remédio, nem médicos’’, diz ele.
Há um mês e meio na cadeia, Sérgio, de 25 anos, diz que já está ficando desesperado. ‘‘A única coisa boa é pensar que poderei sair daqui e ir para o sistema penitenciário, mas não sei quanto tempo terei que esperar’’, diz. O condenado Paulo Sérgio, de 21, já espera há um ano uma vaga no sistema penitenciário e diz que perdeu a esperança.
No mesmo cubículo, os presos dividem uma pequena privada e uma mangueira, na qual tomam banho e lavam suas roupas. (L.P.)

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