Estrogonofe, farofa à Califórnia e quibe assado. Pratos que deixariam muita gente com água na boca tiveram que ser cortados do cardápio da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) porque não agradavam aos presos. ''Em compensação, a empresa fornecedora teve que incluir ovos fritos no cardápio porque os presos pediam muito. Eles gostam do trivial'', afirma a diretora interina da PEL, Bernadete de Fátima Teixeira.
Bernadete explica que a empresa, cujo cardápio era definido pelos nutricionistas da sede, em Curitiba, teve que se adaptar às preferências alimentares dos detentos de Londrina. ''Na Capital as pessoas comem muito arroz parbolizado, feijão preto e cremes quentes, coisas que os presos daqui não aprovaram'', cita. A alimentação carcerária também pode sofrer adequações aos problemas de saúde dos presos. Diabéticos e cardíacos, por exemplo, seguem dietas específicas.
Apesar das regalias, alguns presos ainda lançam mão da criatividade para consumir alimentos que não são servidos pelas autoridades. Segundo um funcionário do 5º Distrito Policial (DP), no local é comum a prática de RQ, sigla para ''rabo quente'': os presos ligam a resistência do chuveiro na energia elétrica e usam a água para cozinhar alimentos, como macarrão instantâneo. (V.N.)

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