Luiz Carlos Dias Junior
De Guarapuava
Especial para a Folha
A unidade da Azulbras Indústria e Comércio de Móveis instalada na Penitenciária Industrial de Guarapuava poderá produzir até 20% dos 20 mil sofás fabricados por mês pela empresa que tem sede em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). A penitenciária foi inaugurada na manhã de ontem pelo governador Jaime Lerner (PFL). O mau tempo impediu o pouso do avião que trazia o ministro da Justiça José Carlos Dias para a solenidade.
A unidade industrial da penitenciária já tem 90 detentos trabalhando. Segundo o governador, o sistema carcerário abre um novo ciclo no Paraná, com reabilitação através do trabalho. Novas penitenciárias industriais estão em obras em Cascavel e Maringá, além de um complexo de segurança máxima em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Serão 1.380 novas vagas. ‘‘Este é só o começo do resgate da dignidade dos detentos e podemos dizer que estamos tendo um bom começo’’, disse o governador. ‘‘Estamos transformando a idéia das prisões, além de abrir novos empregos e formarmos o cidadão para uma nova realidade’’.
O prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko, espera que a penitenciária traga novas indústrias de móveis, transformando o município num pólo moveleiro. ‘‘As novas indústrias poderão aproveitar a mão-de-obra que está sendo formada aqui, com o detento que se prepara para quando cumprir a sua pena’’, disse Burko.
O secretário de Estado da Justiça e Cidadania, José Tavares, disse que a penitenciária é a materialização de um sonho. ‘‘O detento passará à sua família uma nova imagem, de dignidade, e poderá mostrar que errou, mas que quer se recuperar’’, disse. O secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Manoel Martins de Oliveira, destacou que mais de 70% dos presos que cumprem pena retornam à delinquência. ‘‘A Penitenciária Industrial vai acabar com a formação de criminosos profissionais dentro das cadeias’’, disse Oliveira. O Paraná tem hoje aproximadamente 5 mil presos, sendo que 60% já foram condenados.
A Azulbrás Indústria e Comércio de Móveis ocupa uma área de 1.500 metros quadrados e já treinou 38 presos que estão trabalhando na montagem de sofás. Eles recebem a madeira cortada e fazem a montagem e o grampeamento com aparelhos importados da Alemanha, que são mais leves e não oferecem risco. Segundo o proprietário da Azulbrás, Sebastião Antônio Batista, a iniciativa obterá ‘‘excelentes resultados de produtividade’’. ‘‘O emprego dos detentos vai dar dignidade e uma chance de reintegração social’’, destacou.
Estiveram presentes na solenidade autoridades de vários municípios, empresários, e o autor do livro ‘‘Estação Carandiru’’, Dráuzio Varella.

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