Até o fechamento desta edição, a discussão sobre as transferências ainda estava indefinida. A Secretaria de Segurança garantia que toda a estrutura para remoção dos presos estava preparada. Os detentos, no entando, depois da confirmação das mortes, passaram a fazer novas exigências.
Para deixar o presídio e libertar os reféns eles queriam que o ministro da Justiça, José Gregori, fizesse um pronunciamento em rede de televisão garantindo que as transferências seriam realizadas em segurança. O máximo que o governo do Estado conseguiu foi um documento, assinado por Luiz Carlos Barretos, secretário substituto da Secretaria Nacional de Justiça, assegurando que as remoções seriam feitas preservando a integridade física dos detentos.
Como os rebelados se mostravam irredutíveis, a Secretaria de Segurança encerrou as negociações por voltas das 19h30 de ontem. A última medida tomada por Tavares foi substituir os agentes do setor administrativo da PCE por equipes da PM. A assessoria da secretaria afirmou que a medida foi necessária porque a Polícia Militar é mais capacitada para agir em situações de risco, como a verificada na PCE.
Na noite de ontem a assessoria disse que o Estado não descartava a possibilidade de invasão. A Tropa de Choque da Polícia Militar fazia plantão permanente no presídio. Para prevenir possíveis fugas, equipes da PM também se revezavam no plantão que cercava todo o complexo penal.
De acordo com a Secretaria de Segurança, a remoção estava dependendo apenas da disposição dos líderes em encerrar com a rebelião. Apesar de os presos exigirem que queriam sair do Paraná em um único avião, a programação é que maioria deles seja removida para seus estados de origem via terrestre. Apenas os dois que tinham como destino o Pará e o Amazonas devem deixar o Estado de avião.
Logo que anoiteceu a polícia também cortou a energia dentro da PCE. A decisão fazia parte de uma estratégia para pressionar os presos à rendição. Os detentos acenderam fogueiras para garantir iluminação em alguns setores da penitenciária. Grupos de detentos se revezavam no teto de um dos pavilhões, onde eles chegaram a enfileirar alguns botijões de gás. A comida dentro do presídio já estava escassa.
Familiares de detentos e agentes continavam fazendo vigília no pátio em frente à penitenciária. Assustados com a movimentação das viaturas, o temor dos parentes era que a polícia resolvesse invadir os pavilhões.
A conversa com os presos seria retomada hoje pela manhã. Até o fechamento desta edição, 22 reféns ainda estavam em poder dos rebelados.

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