Detentos e familiares fazem rebelião no 2º DP
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terça-feira, 20 de junho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Uma confusão no horário da visita dos familiares de presos mobilizou policiais civis e militares, Siate e bombeiros durante várias horas ontem, no 2º Distrito Policial (Zona Leste de Londrina). Por volta das 11 horas, cerca de 30 mulheres se recusaram a sair das celas. Os detentos, por sua vez, aproveitaram para se mobilizar e reivindicar melhorias nas visitas íntimas. De acordo com uma mulher que já havia visitado o marido e não quis se identificar, o tempo de visitação está restrito. ''Além disto, a VEP (Vara de Execuções Penais) está exigindo vários documentos comprovando que somos casadas. Isso dificulta muito'', garante.
Outras mulheres afirmaram que há semanas estão com dificuldades para visitar os parentes. ''Meu filho está preso há 15 dias. Ele tem câncer na perna e tem que trocar a prótese, mas eu não consigo atendimento médico e nem entregar o remédio. Eu fico sem saber o que fazer'', afirmou Eleuza Palmeira.
Ainda pela manhã, quando souberam que não poderiam encontrar os detentos, muitos familiares se revoltaram e começaram a reivindicar a visita. Outra confusão aconteceu quando algumas pessoas começaram a jogar pedras nos portões do DP. Um policial à paisana, armado, tentou conter a mobilização e acabou entrando em atrito com um homem, parente de um detento, que foi levado à 10 Subdivisão Policial, acusado de desacato a autoridade e danos contra o patrimônio público.
Do lado de dentro, os presos quebraram algumas grades e fizeram uma barricada. Segundo o relações públicas da PM, tenente Ricardo Eguedis, no começo da rebelião, eles tentaram colocar fogo nas celas, mas a iniciativa foi frustada. Os detentos exigiam também a presença do juiz da VEP, Roberto do Valle.
Por volta das 15 horas, o delegado-chefe de Londrina, Sérgio Barroso, chegou ao distrito. Cerca de uma hora depois as mulheres saíram e uma revista começou a ser feita nas celas. Segundo o delegado, as novas medidas administrativas, que entraram em vigor esta semana, visam disciplinar as visitas e valem para todos os distritos policiais. Barroso negou que os parentes tenham dificuldades para entregar remédios. ''Os medicamentos podem ser entregues diariamente, no horário de expediente.'' (Colaborou Silvana Leão)


