Detentos doentes não têm remédios
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Curitiba 
Kraw PenasPaiDelegado Fauze Salmen, do 7º Distrito de Polícia de Curitiba, diz que chega a gastar mais de R$ 50,00 por mês para tentar ajudar os presos: Se a gente não ajudar, ninguém faz nada por elesOs presos que estão alojados nas delegacias do Paraná não têm qualquer tipo de atendimento médico nem acesso a remédios simples como aspirina, segundo denúncia feita pelo delegado Fauze Salmen, do 7º Distrito de Polícia de Curitiba. Por viverem uma situação não prevista pela Lei de Execuções Penais - teoricamente os detentos deveriam estar nos presídios e não nas cadeias das delegacias -, os presos que ficam doentes somente são tratados nos casos que necessitam de transferência para o hospital penitenciário. Doenças leves e indisposições como gripe, dor de cabeça, febre e dor de barriga são ignoradas e permanecem sem tratamento.
Em algumas delegacias, os próprios delegados tentam resolver os problemas mais urgentes adquirindo por conta própria os medicamentos. Em Curitiba, o delegado Fauze Salmen diz que chega a gastar mais de R$ 50,00 por mês para tentar ajudar os presos. Todo mundo fala tanto em Direitos Humanos mas nunca ninguém veio aqui para ver as condições em que vivem os nossos presos, diz. Segundo Fauze, a falta de atendimento médico obriga os delegados a se tornarem pais dos detentos. Se a gente não ajudar, ninguém faz nada por eles, afirma.
O secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, afirma que o envio de remédios para os presos não é responsabilidade da Secretaria de Segurança, e sim da Secretaria Estadual da Saúde. O cuidado sobre a situação médica dos detentos é responsabilidade exclusiva das autoridades da área da saúde, diz.
Para o diretor de serviços da Secretaria Estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, o problema vem ocorrendo por falta de comunicação entre os Poderes. Os delegados devem comunicar os postos e as unidades de saúde sobre a necessidade de medicamentos e atendimento médico, afirma. Ele descarta a proposta feita por alguns delegados de manter kits de medicamentos estocados na delegacias. Ninguém pode sair por aí distribuindo medicamentos sem um exame mais rigoroso da doença, defende. (C.P.)


