Detentos do Ahu têm audiências gratuitas
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terça-feira, 25 de outubro de 2005
Reportagem Local 
Curitiba Sete reconhecimentos de paternidade, quatro divórcios e uma autorização judicial foram os casos tratados em audiência realizada ontem, a presos e seus familiares na Prisão Provisória de Curitiba-Ahu (PPC). Esta foi a segunda sessão do ano, coordenada pela juíza da 4 Vara de Família, Joeci Machado Camargo. ''São ações que tem por meta devolver a dignidade ao preso e a sua família'', resumiu. O programa integra o programa de ressocialização desenvolvido pela Secretaria da Justiça e da Cidadania.
Desde 2003, quando começaram a ser realizadas as audiências no Ahu, foram cinco sessões que atenderam cerca de 60 detentos. Outros 300 aguardam novas audiências que dependem da agenda da equipe de Joeci, apoiada por advogados e acadêmicos de Direito. ''O atendimento é gratuito e o processo feito da forma mais ágil possível. Toda a documentação é expedida após a audiência, só necessitando ser reconhecida em cartório'', explicou a juíza.
Para o diretor da PPC, major Raul Leão Araújo Vidal, o programa denominado Justiça Penitenciária ''resgata o espírito de cidadania à população carcerária e seus familiares''. De acordo com a direção da PPC, o serviço social da unidade é encarregado de fazer a triagem dos presos que podem ser beneficiados com processos de família como reconhecimento de paternidade, de união estável, divórcio, casamento, investigação de paternidade e os demais casos da área de família, a serem resolvidos de forma consensual.
Uma das pessoas atendidas ontem foi Ana Rosa, 32 anos. Ela levou o filho de quatro anos, que até minutos antes da audiência, só tinha o registro de nascimento com seu nome. ''Hoje ele vai ter o nome do pai, o que acredito, vai fazer muita diferença quando ele crescer'', analisou. ''Eu estava em outra cidade quando ele nasceu'', esclareceu o pai do garoto, preso há seis meses na PPC por roubo e receptação.
A direção da PPC ressalta que essas ações possibilitam em muitos casos, como os de autorização judicial, a regularização de visitas e o recebimento de benefícios, com registro oficial.


