Detentos denunciam a prática de torturas
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
De Curitiba 
Na Delegacia de Furtos e Roubos, no bairro Cajuru, os parlamentares ouviram relatos de torturas. Os presos disseram que uma sala, mantida do lado direito do acesso principal da carceragem, é o local onde eles passariam por choques elétricos e espancamentos dos policiais. Tem maus tratos psicológicos e físicos aqui dentro, disse o deputado federal Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha (PT), que integra a Comissão de Direitos Humanos.
Rosinha disse que vai propor ao Ministério Público uma ação para interditar o xadrez da Furtos e Roubos. A delegada adjunta Márcia Braga negou a ocorrência de torturas. Isso não existe, é muito fácil falar. Qualquer suspeita de reclamação, nós encaminhamos, disse. Os parlamentares ouviram ainda denúncias de cobrança de propinas para adquirir uma comida melhor e para a liberação de visitas. Os detentos reclamam que quase não falam com os parentes. Quando são autorizados, podem ficar apenas cinco minutos com os familiares.
Um dos presos, que pediu para não ser identificado, disse que está há dois anos e sete meses sem sair da cela. Estou com problemas no estômago, cuspindo sangue e não consigo autorização para tratamento médico, afirmou o detento. Os policiais também reclamaram que tiram dinheiro do próprio bolso para fazer a manutenção das celas. Apenas quatro investigadores conciliam o plantão com o cuidado dos presos e o trabalho de investigação. A capacidade da delegacia é para 53 pessoas, mas abrigava ontem 96. Mais da metade teria que estar cumprindo pena em presídios. (D.V)


