Detentos de minipresídio reivindicam trabalho
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segunda-feira, 26 de agosto de 2002
Vânia Moreira<br> Equipe da Folha 
Umuarama - Os detentos do minipresídio de Umuarama querem trabalhar para ajudar no sustento das famílias e diminuir as penas. Um grupo de presos pediu esta semana ao delegado-chefe da 7Subdivisão Policial, Marcolino Aparecido da Costa, a realização de contratos com as empresas para prestação de serviços dentro do minipresídio como foi feito dois anos atrás. Uma lavanderia industrial enviava calças jeans para os presos tingirem e lixarem e pagava entre R$ 0,10 centavos e R$, 0,50 centavos por peça.
Segundo um dos presos, Marcelo Machado dos Santos, 26 anos, muitos detentos conseguiram sustentar a família naquele período. ''Agora a única opção é fazer artesanato com madeira, palitos de fósforo ou de sorvete difícil de vender e que não dá lucro nenhum'', disse. Santos está preso há dois anos e meio e aguarda julgamento por duplo homicídio. Segundo ele, além da renda, trabalho serve para encurtar a pena dos condenados. A lei prevê o desconto de 1 dia de pena para cada três dias trabalhados.
O delegado Marcolino Aparecido da Costa disse ontem que a lavanderia fechou e, por enquanto, não existem empresas interessadas em contratar mão-de-obra no presídio. ''Outro problema é que não temos espaço adequado para os presos trabalharem. Quando prestavam serviços para a lavanderia industrial o trabalho era feito dentro da galeria''. Costa está tentando junto ao Serviço de Aprendizagem Comercial (Senac) a realização de um curso de artesanato dentro do minipresídio. ''A idéia é ensinar os presos a confeccionarem embalagens para presentes, cestas e outros produtos que possam ser adquiridos pelas lojas da cidade''.
O delegado observou ainda que a solução definitiva para os problemas de superlotação e ociosidade dos presos seria a construção de uma penitenciária em Umuarama. O minipresídio tem capacidade para 50 presos, mas está com quase o dobro. Segundo o delegado, a construção de uma penitenciária na região está na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do Estado, mas não sai este ano porque o governo priorizou a construção da penitenciária industrial de Guarapuava.


