Detentos da Prisão fazem greve de fome
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terça-feira, 05 de janeiro de 1999
Osmani Costa 
Sete detentos da Prisão Provisória de Londrina estão em greve de fome desde o dia 28 de dezembro. Eles protestam contra o castigo a que foram submetidos pela direção daquele presídio em represália à tentativa de fuga frustrada que realizaram na madrugada do dia 27. A informação sobre a greve de fome do grupo foi passada pelo preso Leandro Batista Costa à sua mãe, Nair Batista Costa, em dois bilhetes - datados de 28 e 30 de dezembro - trazidos por amigos que estiveram visitando-o no final do ano.
Eles estão isolados em uma cela, sem poder tomar sol, sem direito a visita de familiares, e sem produtos de higiene pessoal. A greve de fome foi o único meio que eles encontraram para chamar a atenção do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) para a violência do castigo imposto, comenta a dona-de-casa Nair Costa. Segundo ela, a pena de seu filho - condenado por furto a banco - está cumprida e ele deveria ter sido solto no mês passado.
A tentativa de fuga - frustrada quando os guardas descobriram os oito presos já em cima do telhado da prisão - teria sido liderada por Dorival Lima Santos Filho, que é considerado altamente perigoso e foi transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que tem prédio anexo à Prisão Provisória. O detentos saíram da cela furando a parede de tijolos com uma broca, que a direção da prisão não sabe ainda como chegou ao poder deles.
O vice-diretor da Prisão Provisória, investigador Carlos Nadalim, nega que os sete presos estejam fazendo greve de fome. Eles têm se alimentado normalmente todos os dias e estão muito bem de saúde, garante Nadalim. Ele explica que o castigo a que os detentos estão sendo submetidos, por um período de 30 dias, está previsto na lei carcerária brasileira. A prisão, que entrou em funcionamento em agosto com 144 vagas, abriga hoje 187 presos.
A juíza substituta da Vara de Execuções Penais, Oneide Negrão, disse na tarde de ontem que não tinha informações oficiais sobre a possível greve de fome. A direção daquela unidade de detenção não nos fez qualquer comunicado sobre este assunto. Caso isto ocorra, iremos até lá imediatamente para ouvir dos presos as razões do movimento de protesto e tomarmos as providências cabíveis, ressaltou a juíza.
Os outros presos que tentaram fugir são Márcio Dias de Souza, Nelson Gomes Ferreira, Nilton Cesar dos Santos, Pedro Paulo dos Santos, Valdecir Francisco Nascimento e Sílvio Osmar da Silva Oliveira. Todos estão respondendo a processos em que são acusados de homicídio, assalto ou furto. A Vara de Execuções Penais informou que Leandro Costa não tem ainda direito a soltura porque, além de uma condenação a dois anos de reclusão, ele responde a outro processo - em fase de recurso no Tribunal de Alçada - em que foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão em regime fechado.


