Sete detentos da Prisão Provisória de Londrina estão em greve de fome desde o dia 28 de dezembro. Eles protestam contra o castigo a que foram submetidos pela direção daquele presídio em represália à tentativa de fuga frustrada que realizaram na madrugada do dia 27. A informação sobre a greve de fome do grupo foi passada pelo preso Leandro Batista Costa à sua mãe, Nair Batista Costa, em dois bilhetes - datados de 28 e 30 de dezembro - trazidos por amigos que estiveram visitando-o no final do ano.
‘‘Eles estão isolados em uma cela, sem poder tomar sol, sem direito a visita de familiares, e sem produtos de higiene pessoal. A greve de fome foi o único meio que eles encontraram para chamar a atenção do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) para a violência do castigo imposto’’, comenta a dona-de-casa Nair Costa. Segundo ela, a pena de seu filho - condenado por furto a banco - está cumprida e ele deveria ter sido solto no mês passado.
A tentativa de fuga - frustrada quando os guardas descobriram os oito presos já em cima do telhado da prisão - teria sido liderada por Dorival Lima Santos Filho, que é considerado altamente perigoso e foi transferido para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), que tem prédio anexo à Prisão Provisória. O detentos saíram da cela furando a parede de tijolos com uma broca, que a direção da prisão não sabe ainda como chegou ao poder deles.
O vice-diretor da Prisão Provisória, investigador Carlos Nadalim, nega que os sete presos estejam fazendo greve de fome. ‘‘Eles têm se alimentado normalmente todos os dias e estão muito bem de saúde’’, garante Nadalim. Ele explica que o castigo a que os detentos estão sendo submetidos, por um período de 30 dias, está previsto na lei carcerária brasileira. A prisão, que entrou em funcionamento em agosto com 144 vagas, abriga hoje 187 presos.
A juíza substituta da Vara de Execuções Penais, Oneide Negrão, disse na tarde de ontem que não tinha informações oficiais sobre a possível greve de fome. ‘‘A direção daquela unidade de detenção não nos fez qualquer comunicado sobre este assunto. Caso isto ocorra, iremos até lá imediatamente para ouvir dos presos as razões do movimento de protesto e tomarmos as providências cabíveis’’, ressaltou a juíza.
Os outros presos que tentaram fugir são Márcio Dias de Souza, Nelson Gomes Ferreira, Nilton Cesar dos Santos, Pedro Paulo dos Santos, Valdecir Francisco Nascimento e Sílvio Osmar da Silva Oliveira. Todos estão respondendo a processos em que são acusados de homicídio, assalto ou furto. A Vara de Execuções Penais informou que Leandro Costa não tem ainda direito a soltura porque, além de uma condenação a dois anos de reclusão, ele responde a outro processo - em fase de recurso no Tribunal de Alçada - em que foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão em regime fechado.

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