Detentos da PEL terão curso de garçom
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Rodrigo Neppel<br>Reportagem Local 
No calendário, a marcação anuncia o fim do período de reclusão. Mas junto com a liberdade chegam novas preocupações para aqueles que deixam a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Agora é a hora da verdade: para onde ir? O que fazer? Qual caminho traçar? A reconstrução da vida de um ex-detento não é tarefa fácil, já que vai ter que lidar com o preconceito da maioria das pessoas.
Mas a partir deste mês, presos que querem mudar o rumo da vida ganham nova oportunidade. Isso porque o Serviço Nacional do Comércio (Senac), com patrocínio dos sindicatos Patronal dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de Londrina e Região e dos Empregados do setor, passa a oferecer cursos profissionalizantes dentro da PEL.
''A idéia surgiu da necessidade de oferecer nova opção àqueles que estão prestes a deixar a instituição'', afirma a coordenadora do projeto, Roseli Casasanta. Apesar de ser uma experiência, ela afirma estar animada. ''Acredito que vamos fazer a diferença na vida deles. A nossa pretenção é tirar um pouco o rótulo que essas pessoas carregam.''
A princípio serão oferecidos dois cursos. De acordo com Roseli, o de técnico de garçom tem duração de 30 horas e prepara os alunos para trabalhar num dos setores que ''mais emprega''. Completada a carga horária inicial, passam então para o curso de empregabilidade, cujo objetivo é dar noções de como participar de entrevista, de dinâmica de grupo, de como montar um currículo e de como se vestir na hora de procurar trabalho.
A coordenadora conta que, durante as atividades, a idéia é que o detento elabore seu próprio currículo. ''Os participantes vão sentar no computador e, com ajuda dos professores, vão preparar o documento. Dessa forma, quando deixarem a PEL, estarão prontos para buscar uma vaga no mercado'', completa. Além disso, todos que entrarem no programa recebem certificado expedido pelo Senac e são encaminhados para seleções.
Nesta primeira etapa do projeto, o objetivo é preparar 20 pessoas, dentro da própria penitenciária. Segundo Roseli, quatro professores ministram as aulas. ''Quando terminar esta primeira turma, vamos fazer uma avaliação dos resultados para decidir abrir ou não novas vagas'', completou.
Índices Preparar o detento para a vida fora da penitenciária é a principal arma para recuperação dele. É o que garante o diretor do Patronato Judiciário de Londrina, Tadeu José Migoto. Mas, segundo ele, é preciso muito mais do que aulas preparatórias. ''O egresso do sistema penal sofre muito preconceito. Existe dificuldade para conseguir emprego. Os cursos profissionalizantes podem até amenizar a situação, mas não garantem vaga de trabalho'', afirma. ''Por isso é necessário oferecer cursos em áreas que tenham mercado.''
''Deveriam ser criadas turmas que estimulem a abertura de um negócio próprio, pois é difícil para essas pessoas conseguirem uma ocupação com carteira assinada'', completa. Segundo ele, é justamente a falta de emprego que empurra os ex-detentos de volta à criminalidade. ''Entre 10% e 12% dos egressos acabam retornando ao sistema carcerário afinal, eles precisam comer.''
Para o diretor, as pessoas devem deixar de acreditar que o responsável pela recuperação dos presos é uma tarefa das instituições. ''Acho que falta participação mais ativa da sociedade em geral. A população deve colaborar e não esperar que o Estado faça tudo.''


