Quatro dias depois de receberem uma punição por conta de um túnel que começava a ser escavado, os 97 presos da última galeria do 2º Distrito Policial (Zona Leste) de Londrina tentaram fugir. Dessa vez, pelo menos 15 conseguiram, sendo quatro recapturados ainda no início da confusão.
A fuga aconteceu por volta das 3h30 de ontem, quando os presos atravessaram um túnel (escavado com pedaços de ferros), com pouco menos de um metro de altura e cerca de seis metros de comprimento. A saída do túnel dava acesso ao pátio de veículos apreendidos. Eles pularam o muro com arame farpado. Muita terra e peças de roupas ainda se encontravam espalhadas pelo pátio na manhã de ontem.
Uma mensagem irônica ''libertaram barrabás'' e uma seta, apontada para o buraco, foram pintadas na parede da galeria. O delegado do 2º DP, Lanevilton Theodoro Moreira, explicou que a última vistoria realizada naquela galeria ocorreu na tarde de quinta-feira. ''Não há um tempo determinado para as vistorias. Realizamos pelo menos uma vez por semana e quando há algum indício de fuga.'' A galeria onde estavam os 97 presos tem capacidade para apenas 24. Por conta da superlotação, as portas das celas ficam abertas. Os foragidos são acusados de crimes como roubo e tráfico de drogas. O 2º DP, cuja capacidade é para 116 presos, abriga 373 presos.
No momento da fuga, dois policiais militares e um agente carcerário estavam no distrito. Segundo o delegado, com o objetivo de ''reprimir'' os presos, a polícia acabou disparando alguns tiros contra os detentos que tentavam fugir, mas ninguém ficou ferido.
A casa de uma moradora, em frente ao 2º DP, foi atingida por um disparo. O representante comercial Alexandre Borges, genro da mulher, disse que a sogra vive ''constantemente assustada''. ''O tiro acertou a janela do quarto dela e atingiu o guarda-roupa. Se ela estivesse de pé na hora, poderia ter sido atingida. É um absurdo isso. Toda semana acontece alguma coisa'', comentou Borges.
Na tarde de ontem também foi localizado o início de um túnel no 4º DP (Zona Sul). Agentes desconfiaram do barulho próximo às celas e, quando o Pelotão de Choque entrou no distrito, acompanhado de policiais civis, encontrou o princípio de escavação em um dos corredores. Com um pedaço de ferro retirado das grades e uma broca, os presos já tinham conseguido perfurar o concreto e se preparavam para iniciar a retirada de terra. O distrito, que tem capacidade para 24 presos, abrigava ontem 114.(Colaborou Silvana Leão)

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