Detentos acusam policiais de tráfico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniPelo muroSegundo os presos, dois soldados da guarda externa jogaram a droga no viveiro de plantas do presídio O 4º Batalhão de Polícia Militar de Maringá vai abrir inquérito para investigar a denúncia de tráfico de drogas contra dois soldados da corporação. Gílson Néri Nascimento e Roberval Júlio dos Santos são acusados de traficar drogas dentro da Penitenciária Estadual de Maringá. Eles foram transferidos para serviços internos do batalhão.
Dois detentos foram flagrados fumando maconha no viveiro de plantas da penitenciária. Francisco Ferreira de Melo, 47 anos, condenado a 12 anos por crime de estelionato, e Francisco Henrique Fonseca, 45, condenado a seis anos por tráfico de drogas, engoliram os cigarros, mas entregaram ao agente penitenciário a trouxinha de maconha.
Interrogados pelo diretor do presídio, coronel Tadeu Rodrigues, os detentos disseram ter recebido a droga de dois PMs encarregados da vigilância externa, que ficam nas guaritas. Segundo o coronel, a droga seria o pagamento por uma filmadora vendida pelos detentos aos PMs. Os pacotinhos da droga teriam sido jogados da calçada externa, por cima do muro, caindo no viveiro de plantas.
É a primeira vez que detentos acusam a polícia de participação em tráfico de drogas. Mas não é a primeira vez que flagramos os detentos fumando maconha aqui dentro. É a 13ª vez. A maioria engole os baseados (cigarros), passados por parentes e amigos durante o horário de visitas, admitiu o coronel Rodrigues.
O diretor fez o reconhecimento dos PMs fazendo com que todos os soldados que trabalham no presídio desfilassem na frente dos dois detentos. Nascimento e Amaral foram reconhecidos por Melo e Fonseca. A ficha dos policiais mostra que eles têm bom comportamento, apesar de já terem sofrido punições por diversas irregularidades. Nascimento é soldado há 10 anos (já foi punido por manusear arma de fogo dentro de sala de aula, no quartel) e Amaral, há 16 anos.
O juiz da Vara de Execuções Penais de Maringá, Nabor Nishikawa, já foi informado do flagrante para notificação nas fichas dos detentos. Uma sindicância interna foi aberta no presídio para decidir as punições. Os detentos envolvidos poderão passar um período na solitária e ficar sem receber visitas por dois ou três meses.
Dependendo do resultado do IPM, os soldados poderão ser presos e submetidos ao Conselho de Disciplina, que vai decidir se eles têm capacidade ou não para continuar servindo à polícia.


