Detento paranaense é morto a facadas no MS
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terça-feira, 03 de maio de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Condenado a 78 anos e 10 meses de prisão, com duas décadas de pena cumprida, o paranaense Anacleto Roberto de Amorim, 42 anos, foi assassinado na Penitenciária Harry Amorim Costa, em Dourados (MS), no último sábado (30). Ele levou 61 golpes de estilete. Natural de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), Amorim foi criado em Londrina, onde foi enterrado ontem. A família acredita que houve negligência e descaso das autoridades, e diz que vai processar o governo do Mato Grosso do Sul.
O velório foi realizado na residência da família, no Jardim União da Vitória 2 (Zona Sul). Dezenas de parentes e amigos foram ver o corpo de Amorim, que expunha no rosto várias marcas dos cortes sofridos. Ele tinha quatro filhos, com idades entre 13 e 21 anos, fruto do primeiro casamento. A segunda esposa, Fátima Prado, 24 anos, que o conheceu há três anos na Penitenciária Estadual de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), está grávida de dois meses.
Desde que Amorim foi transferido para Dourados, em dezembro de 2004, Fátima estava morando naquele município. Foi ela quem recebeu o telefonema de um colega de prisão do marido, que teria ligado de um orelhão no interior da penitenciária. ''Esse homem, que era muito amigo dele, testemunhou tudo. Disse que dois presos mataram o Anacleto, e contaram em voz alta as 61 'facadas''', relatou, acrescentando que o marido ''jamais falou sobre ameaças''.
Questionada sobre o crime que levou Amorim à prisão, a família disse apenas que seria ''um latrocínio'', o qual o preso não assumia. Entretanto, o diretor da Penitenciária de Dourados, Joel Rodrigues Ferreira, informou que a ficha criminal do paranaense continha mais de 10 crimes no Paraná e interior paulista, sendo vários furtos, roubos, porte de entorpecentes e ''pelo menos'' três latrocínios. Só estes lhe renderam pena de 47 anos de prisão. As condenações datam de 1981 até 1987. Ele foi preso em maio de 1984 e passou por várias instituições. Em novembro de 2003 foi transferido de Piraquara para Campo Grande (MS) após participar de uma rebelião que deixou três mortos.
''Está certo que ele tinha que pagar por seus crimes, mas não merecia morrer desse jeito. Não bastasse a irresponsabilidade do Estado, eles queriam cobrar quase R$ 3 mil para transportar o corpo e R$ 800 só de despesas com embalsamento'', protestou Elice Roberta Batista, 38 anos, irmã de Amorim, que diz ter contado com a ajuda de políticos para obter a liberação do cadáver.
Ferreira declarou que a morte de Amorim causou ''surpresa'' porque ele mantinha boas relações com os vários grupos e era mestre de capoeira, o que impunha respeito entre os colegas. O diretor acredita que o assassinato, ocorrido durante o banho de sol dos presos, esteja ligado à disputa entre líderes de facções rivais divididas por estados. O detento Jocimar Miranda de Moraes, preso também há 20 anos por latrocínio, se apresentou como autor do crime.
O diretor disse ainda que os presos improvisam armas com o próprio material usado na construção da penitenciária, e que mortes como a de Amorim só podem ser evitadas quando há informações sobre os planos de crime. ''Estamos administrando até bem a situação que temos aqui. A capacidade é para 538 presos e estamos com 1165. A penitenciária foi projetada para ser de segurança máxima, mas dessa forma não é possível.''


