Detento morre de tuberculose
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Arapongas - Foi sepultado ontem, no Cemitério Municipal de Arapongas (Norte), João Vitor Cardoso Siqueira, 29 anos, ex-detento da Delegacia Regional. Siqueira estava com tuberculose pulmonar e morreu no sábado, no Hospital João de Freitas, onde estava internado há uma semana. O alvará de soltura de Siqueira foi expedido na quinta-feira. Segundo familiares, a doença teria se manifestado há cerca de três meses e mesmo assim ele continuou dividindo a carceragem, que tem capacidade para 34, mas está com 156 presos. Há suspeita que mais cinco detentos estejam doentes.
Amigos, familiares, além de mães e mulheres de outros presos estiveram no cemitério ontem de manhã, acompanhando o sepultamento. Siqueira era casado e deixa um filho de sete anos. Segundo a mãe dele, Eunice Siqueira, toda quarta-feira, dia de visita, o jovem se queixava de dores no peito, além da perda de peso.
''Há três meses ele foi ao médico e começou a tomar medicamentos. O tempo foi passando e ele foi piorando. Na última terça levamos ele para mais uma consulta e então o médico encaminhou ele direto pra UTI porque seu quadro era muito grave'', relatou Eunice. O irmão de Siqueira, Fabrício de Abreu, também está preso e a mãe teme que o filho também esteja doente.
A FOLHA procurou o Hospital João de Freitas, mas a direção não quis se pronunciar. Na certidão de óbito fornecida à família consta morte por insuficiência respiratória aguda e tuberculose pulmonar.
Risco
O advogado da família, Edvaldo Barbosa disse que deve entrar com uma ação contra o Estado. Segundo ele, Siqueira permaneceu por um ano e três meses preso aguardando o julgamento pelos crimes de tentativa de homicídio e tráfico de drogas. ''Eu já tinha feito pedido de liberdade provisória e habeas corpus mas foram negados. Além disso tudo, com a doença, ele precisava de um tratamento diferenciado. Ter permanecido naquele local lotado com outros presos fez com que ele piorasse e agora pode estar colocando a vida de outros presos em risco também'', comentou.
A mãe de outro detento, que não quis se identificar, disse que visita o filho toda semana. Ela afirmou que na carceragem há muita umidade, mal cheiro e muitos insetos. ''A gente sabe que eles precisam pagar pelo que fizeram mas queremos que eles sejam tratados com dignidade.''
A mulher de um outro detento comentou sobr4e o risco de uma rebelião. ''Eles não estão suportando mais e agora com a morte do João Vitor a revolta deles é ainda maior'', disse.


