Detento foi executado com 18 tiros
O detento Flávio Cruz, 26 anos, foi executado com 18 tiros de fuzil 762 e de pistola 9 milímetros e 380 milímetros 25 horas depois de ser preso, segundo apurou a Folha ontem. Ele era acusado de matar o policial civil Jonathan Ferreira, do 9º Distrito Policial, e foi morto na segunda-feira dentro da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Apesar de ter afirmado desde o homicídio que apenas dois projéteis haviam sido retirados do corpo de Cruz, ontem o diretor do Instituto Médico Legal, Francisco Moraes e Silva, admitiu que ele tinha mais feridas transfixantes.
A mudança de postura de Moraes aconteceu depois que uma fonte na polícia e a família do preso confirmaram as informações apuradas pela Folha. Segundo o irmão de Flávio, Edenilson Cruz, o corpo do detento estava todo deformado. Tenho certeza que foram dados mais de 18 tiros em Flávio, afirma. Edenilson Cruz disse que além dos tiros, o irmão apanhou antes da morte. Ele estava deformado, a boca, os dentes, tudo prova que ele foi torturado pelos policiais antes da morte, afirmou.
Moraes e Silva disse que não sabia ao certo o número de perfurações nem os locais em que o detento havia sido atingido. Segundo o diretor, tais fatos somente serão informados com a conclusão do laudo, que deve acontecer na próxima sexta-feira. Ele, porém, não desmentiu a informação de que havia, pelo menos, 18 perfurações. Se foram 18 ou 20, o número eu não sei, disse.
Mesmo que a polícia consiga apurar as circuntâncias do crime, a família não acredita que os culpados pelo assassinato de Flávio sejam presos. Sei que foram policiais que mataram meu irmão, mas tenho a certeza de que se alguém for pagar por isto, será um inocente, afirmou Edenilson.
A mãe, Joscelina Cruz, de 68 anos, disse que toda a família foi ameaçada pelos policiais. De acordo com ela, antes de levarem Flávio, os policiais garantiram que ele não sairia da prisão vivo. Agora temos medo de sairmos de casa e temo pela vida de meu neto, de 6 anos, afirmou.
A família diz ainda que tem certeza de que o investigador não foi assassinado por Flávio Cruz. Eles dizem que tem provas de que um morador do bairro foi o autor do crime. Sei quem foi e iremos buscar a justiça se for preciso para provar que meu filho morreu inocente, disse Joscelina. Flávio cumpriu pena por tentativa de homicídio e assalto a banco e foi libertado em agosto do ano passado.
Ao contrário do que diz a família, o detento Reni Almeida, que foi preso com Flávio, sustenta que foi Cruz o autor dos disparos que mataram Ferreira. Detido até ontem na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, ontem Almeida foi transferido para o Centro de Observação e Triagem (Cot) da Prisão Provisária do Ahú.





