A tentativa de fuga seguida de motim teria sido iniciada por um preso de confiança que servia café para a guarda da Penitenciária Central do Estado (PCE). A informação foi dada pelo agente penitenciário Silvestre da Silva, que trabalha há dez anos no local e que esteve durante toda a madrugada no local. ‘‘O cafezeiro (sic) era um preso quase que de confiança. Ele trabalha no café da guarda. Ele soltou os outros presos que renderam a guarnição. Tentaram render a portaria, mas foram frustrados. Então voltaram e ficaram com os sete companheiros como reféns’’, relatou ele.
O fato foi confirmado pela reportagem da Folha, que conseguiu conversar com o ‘‘cafezeiro’’ por telefone. Trata-se de Ademar Maboni, acusado do assassinato do cônsul da Argentina, no dia 29 de janeiro de 1995. O crime teria acontecido na BR-277, em Curitiba, onde Maboni tinha um comércio. Em recente entrevista para a Folha, ele negou que tivesse cometido o crime e acusou policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) de prática de tortura. ‘‘Mesmo torturado, nunca confessei este crime. Eu não o cometi e tenho provas’’, declarou na oportunidade.
Ademar Maboni foi condenado a cumprir 29 anos de detenção. Ele enviou cartas pedindo revisão processual para o Ministério da Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Defensoria Pública, Comissão Nacional dos Direitos Humanos e para o governador Jaime Lerner e o senador Roberto Requião (PMDB-PR). ‘‘Tentei de tudo e não consegui. Agora quero provar minha inocência na rua’’, falou por telefone. Maboni disse que estava sendo ameaçado desde a vinda da Comissão dos Direitos Humanos para o Paraná e que não teve outra escolha senão auxiliar na fuga dos 15 outros presos. ‘‘Sei que isto pode me prejudicar, mas eu tenho que sair daqui. Agora eu vou até o fim’’, considerou.
O vice-coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), André Kendrick, disse que não acreditava na possibilidade de a fuga ter sido facilitada por um preso de confiança. (L.P.)

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