Curitiba A Prisão Provisória de Curitiba (PPC), no bairro do Ahú, desenvolve um programa diferenciado com o auxílio de 20 voluntários da própria comunidade paranaense. É o programa de ressocialização Bem Viver, que tem como meta aproximar os detentos da sociedade ensinando aulas de violão, coral, pintura, cerâmica, mosaicos, aquariofilia. O projeto ainda está em fase experimental, mas já tem a adesão de 40% dos presos. ''Temos profissionais de várias áreas e dez igrejas envolvidas nesse projeto'', contou o diretor do presídio, Lauro Valeixo.
O programa começou há seis meses. A idéia foi do agente penitenciário Carlos Alberto Pereira, que resolveu iniciar o projeto com os presos que ficavam isolados por estarem jurados de morte. ''Fiz uma experiência e deu certo. Tinha como objetivo sensibilizar a massa carcerária. Dos 21 presos que começamos esse trabalho e que viviam isolados, 12 conseguiram superar os medos e voltaram para o convívio com os outros presos'', contou ele.
O projeto conta ainda com o apoio de outros agentes penitenciários. O Ahú tem atualmente um quadro funcional de 230 agentes. O interno Oséias Leivas Silva, 32 anos, foi um dos primeiros a participar do projeto e hoje tem exposições circulando por todo o Paraná.
Ele já cumpriu 12 anos de pena por latrocínio e resolveu trocar o crime pela arte. ''Hoje estou convicto que o meu dom é o de pintar e pretendo viver fazendo isso. Por enquanto, da cadeia. Depois nas ruas'', afirmou ele. Oséias já está multiplicando o que aprendeu e está dando aula como voluntário para outros internos. ''Eu acho que a arte desperta um comportamento de sensibilidade. É uma outra linguagem. O detento deixa o comportamento brutal e se apaixona de novo pela vida'', sintetizou.
De dentro da cadeia, ele já participou de 50 exposições. ''Hoje me considero mais do que vencedor'', disse ele. São mais de 800 obras que estão guardadas dentro do prédio da penitenciária. Além de pintar, o artista plástico começou a fazer trabalhos também com cerâmica e tecidos. ''Nunca dei aula para ninguém. Eu não tinha linguagem para isso. Sabia as técnicas, mas achava que não conseguia explicar. Agora sei. Respeito as diferenças e trabalho com as individualidades'', pontuou, calmamente, o pintor.

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