Detento acusa PM de roubo e extorsão
A Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para apurar envolvimento do policial militar Cláudio Alberto Helk em roubo, extorsão e venda ilegal de arma. Ele foi acusado desses crimes pelo detento Vicente de Paula Ferreira, 55 anos, preso em flagrante na terça-feira por tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
Hoje, o delegado Benedito Aurélio Gonçalves, que preside o inquérito, envia cópia das declarações de Ferreira ao comando do 4º Batalhão da Polícia Militar. O delegado vai pedir ainda ao coronel José Luiz Peretti, comandante do batalhão, os antecedentes de Helk e solicitar que o soldado deponha perante o escrivão até amanhã. Helk é um dos soldados que faz o serviço de guarda externa do presídio da 9ª Subdivisão Policial de Maringá.
Ferreira foi condenado a três anos de reclusão por tráfico de drogas. Ele iniciou o cumprimento da pena em regime de prisão-albergue em julho de 97. Com a prisão em flagrante, sua pena poderá ser revista pela Vara de Execuções Penais (VEP).
No início desta semana, equipes da Polícia Civil deram início ao trabalho de busca e apreensão de drogas em locais considerados suspeitos. Com mandado de busca expedido pela 3ª Vara Criminal de Maringá, os policiais deram uma batida na casa de Vicente Ferreira e lá encontraram cinco gramas de maconha, um revólver 38, um 32 e uma garrucha, além de munições.
O detento disse à polícia que, logo depois que começou a cumprir pena em regime aberto, Helk, acompanhado de um informante da polícia chamado Raimundo, invadiu sua casa e se apresentou como policial civil. Ele me apontou um revólver, me deu voz de prisão e disse que sabia que eu mexia com drogas. Fui amarrado com um cinto. Eles roubaram um televisor de 20 polegadas, R$ 250,00 em dinheiro e um litro de uísque.
Segundo o depoimento de Ferreira, dias depois Helk voltou a sua casa dizendo que iria extorqui-lo em R$ 50,00 semanais para que pudesse continuar vendendo maconha sem que a polícia o importunasse. Ferreira teria feito diversos pagamentos a Helk em dinheiro. O soldado ainda teria entregue a Ferreira um revólver calibre 38 para que fosse vendido. Ele disse que se o revólver fosse vendido por R$ 300,00 eu poderia ficar com R$ 100,00. Segundo a polícia, o número de registro do revólver foi raspado.
Ferreira disse também aos policiais que o PM teria lhe oferecido um quilo de maconha para manutenção da boca-de-fumo.





