Elas não precisam mais de escolta, basta andar alguns metros para ter o atendimento médico ali mesmo, dentro do 3º Distrito Policial (DP), na Zona Oeste de Londrina. O ambulatório do distrito, que é o único com carceragem feminina na cidade, foi instalado em janeiro deste ano e, segundo o escrivão Carlos Isla, já tem bons reflexos no comportamento das detentas. ''Elas estão bem mais calmas'', afirmou o escrivão.
Todas as segundas-feiras à tarde, uma médica ginecologista, uma enfermeira do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e alguns estudantes de medicina passam horas no distrito consultando as pacientes. ''Em média, 10 mulheres passam pelo ambulatório uma vez por semana'', contou o escrivão. Segundo o delegado do DP, Valdir Fernandes, apesar do atendimento ser basicamente ginecológico já ajuda bastante a diminuir a lotação nos postos de saúde, antes utilizados pelas presas.
Com capacidade para 36 detentas, o 3º DP abriga 61. Destas, cinco estão grávidas. Há cinco meses presa, Elizângela, de 22 anos, aprovou a iniciativa do delegado e do escrivão. ''Quando a gente sai com a escolta para ser atendida, todos ficam olhando. A gente passa vergonha'', afirmou. Outro ponto positivo apontado por Elizângela é que ali toda segunda-feira é garantido o atendimento. ''Quando precisamos sair nem sempre tem policial para fazer escolta'', contou.
Segundo Isla, as detentas só saem do distrito em casos de emergência ou tratamentos dentários. ''Realmente não há muitos policiais para a escolta, mas o mais importante é elas saberem que têm a quem recorrer'', explicou o escrivão. A sala que abrigava um antigo cartório hoje possui cama ginecológica e maca para atender as pacientes. ''O ambulatório também diminuiu o risco de fugas durante as saídas'', declarou o delegado.
Todos os profissionais que atendem as detentas são voluntários. ''Aqui dentro nós também conversamos sobre outros problemas e até sobre planejamento familiar'', disse a enfermeira Sandra Trindade, que coordena as consultas. Segundo o delegado, antes da implantação do ambulatório cerca de quatro presas precisavam de escolta para atendimento médico diariamente.

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