Luciana Pombo
De Curitiba
As detentas da Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, iniciaram ontem uma manifestação por melhores condições de atendimento e revisão do processo penal de pelo menos 12 internas. A rebelião começou por volta das 9 horas, quando as detentas ocuparam as galerias e corredores da unidade e começaram a quebrar telefones e equipamentos. Durante à tarde as detentas deram uma trégua porque tinham a promessa que teriam uma reunião às 20 horas com o secretário de Estado da Justiça, José Tavares.
Para inibir a ação das presas, a diretoria resolveu cortar a energia elétrica por cerca de quatro horas. No tumulto, duas internas ficaram feridas nas mãos e precisaram de atendimento. Uma pauta de reivindicações foi entregue para a diretoria do presídio, que ficou reunida com representantes da Secretaria de Estado da Justiça e da Corregedoria dos Presídios durante todo o dia. ‘‘Alguns processos estão demorando para serem analisados pela Justiça. Nos comprometemos a agilizar os processos e fazer um mutirão para a revisão das penas’’, afirmou Silvio Cavanhari, diretor geral da Secretaria da Justiça.
Os casos serão analisados individualmente e, de acordo com Cavanhari, se houver qualquer regime que possa ser alterado de fechado para semi-aberto, o benefício será concedido. ‘‘O maior problema é que a maioria das detentas tem uma condenação grande, por mais de dois processos. É difícil que tenha algum benefício a ser concedido, mas estaremos empenhados em analisar’’, argumentou. A revisão de todos os processos deverá ser feita esta semana.
As outras 127 detentas da penitenciária pedem ainda a melhoria no atendimento social, psicólogas, assistentes sociais e aumento das visitas íntimas. ‘‘Temos um limite de recursos para trabalhar, mas faremos o que pudermos para melhorar as condições das internas. Apenas iremos exigir disciplina’’, salientou ele.
A imprensa não pode acompanhar as negociações entre os representantes da Corregedoria e da Secretaria da Justiça. A alegação oficial é de que qualquer movimentação poderia ocasionar uma agitação na Penitenciária Central do Estado, masculina, que fica num prédio em frente à unidade feminina. ‘‘Resolvemos deixar também a polícia de fora da negociação para evitar tumultos. A recomendação é de que só agiríamos com rigor e força policial em casos extremos’’, afirmou. A Penitenciária Central do Estado tem, atualmente, cerca de 1,5 mil internos. ‘‘Eu não posso tornar isso aqui num paraíso, mas sei que elas cometeram um delito e terão que cumprir a pena’’, disse Cavanhari.
A presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, Elizabeth Maria de Aguiar Maia, disse que a maior parte das internas do Presídio Feminino de Piraquara é composta por moças com idades entre 22 e 29 anos. ‘‘Setenta por cento são jovens e a maioria é condenada por tráfico de drogas’’, comentou ela.Mulheres ocuparam galerias, quebraram telefones e equipamentos para pedir melhores condições e revisão de processos penais
José SuassunaDO LADO DE FORAA imprensa e a polícia não puderam entrar no presídio durante a rebelião. A determinação era que o reforço policial só seria permitido em casos extremos. Com isso, a diretoria da penitenciária tentou evitar tumultos durante a negociação

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