Detentas de Piraquara pedem saída de diretora
Luciana Pombo
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
A rebelião da Penitenciária Feminina do Paraná, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, poderá culminar em mudanças na diretoria do presídio. Elas reclamaram muito da forma como estão sendo tratadas pela diretoria da unidade, que é referência nacional. Vou refletir sobre isso e posso determinar mudanças, afirmou José Tavares, secretário de Estado da Justiça e Cidadania.
A rebelião das presas começou na manhã de terça-feira. Elas ocuparam as galerias e corredores da unidade e começaram a quebrar vidros, equipamentos e ramais telefônicos. Segundo informações não confirmadas, a separação de casais formados por presidiárias homossexuais foi o estopim para que o protesto começasse. Na terça à noite, uma comissão formada por cinco presas esteve em reunião com Tavares e com a direção do presídio. O encontro só acabou na madrugada de ontem.
No começo da tarde de ontem, porém, a situação voltou a ficar tensa. Cerca de 30 agentes penitenciárias estavam se recusando a entrar na penitenciária para fazer as vistorias nas celas. Segundo informações do secretário geral do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário, Renê Pereira de Castro, as mulheres estavam com medo de represálias por parte das detentas. A situação só foi contornada depois que alguns homens, funcionários de outros setores da Penitenciária Central do Estado, foram destacados para a operação de revista. Todas as presas foram colocadas no refeitório para que as celas fossem completamente esvaziadas e revistadas.
O secretário verificou diversos problemas registrados entre a diretoria da penitenciária e as internas. A atual diretora geral da Penitenciária Feminina é a psicóloga Vera Lúcia dos Santos, que desde anteontem evita conversar com a imprensa. Ontem à tarde, apesar da insistência dos repórteres que estiveram em frente ao presídio, ela não quis atender aos jornalistas.
Por volta das 16 horas, pelo telefone da guarita da entrada da prisão, uma funcionária disse que a situação estava normalizada, mas a diretora da penitenciária, estava nos fundos do prédio e não poderia dar entrevistas. Até o começo da noite, a diretoria da penitenciária não prestou mais nenhuma informação sobre a situação dentro da unidade.





