Curitiba - O calor escaldante que fez no solário do Centro de Triagem I, no Centro de Curitiba, não tirou o bom humor das quase 100 detentas que ganharam uma festa de Natal, no início da tarde de ontem. A confraternização foi promovida pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR com o apoio da Comissão de Estabelecimentos Prisionais, da Pastoral Carcerária, e possibilitou uma tarde diferente para as mulheres presas que ainda aguardam uma decisão judicial sobre o seu futuro.
Fora um lanche com sanduíche, refrigerante e docinhos, todas ganharam presentes, panetones e um kit de higiene pessoal com sabonetes, xampu e pasta de dente - as escovas tiveram que ser retiradas a pedido da administração da unidade. Além disso, houve apresentação do Coral do Centro de Cultura Italiana e o frei do Hospital São Roque fez um breve sermão sobre o tema Natal, visando passar conforto, carinho e esperança. Essa é a primeira vez que foi permitida uma festividade para detentas no Centro de Triagem.
''Nossa proposta é colaborar com a ressocialização delas, não só fazendo essa festa, mas trazendo alternativas de trabalho, como o artesanato, para que não fiquem na ociosidade'', disse a advogada da OAB Isabel Kugler. As 96 internas foram transferidas para a atual carceragem, no mês de outubro, do 9º Distrito Policial, onde viviam em situações precárias e de superlotação.
''Não podemos dizer que, hoje, a estrutura seja o ideal, mas já melhorou bastante. Ficam no máximo seis por cela, cada uma tem sua cama e colchão e têm direito a banho de sol. Antes, ficavam amontoadas no 9º DP'', compara Kugler, dizendo que a Comissão de Direitos Humanos fez um levantamento para saber quantas possuem advogado. ''Sabemos que 30 delas não têm defesa ainda. O Centro de Triagem é um estabelecimento temporário, mas algumas vivem está situação há três anos'', informou.
Depois do lanche, foi organizada uma fila indiana para distribuição dos presentes e kits. No final, antes voltarem para as celas, deram abraços calorosos e agradeceram bastante às organizadoras. A maioria das detentas do Centro de Triagem foi presa por tráfico de drogas, possui idade entre 20 e 30 anos e aguarda, em média, de um a três meses, a condenação ou a liberdade.

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