As estradas rurais que dão condições de desvio das praças de pedágio estão com movimento cada dia maior na região de Maringá. Os motoristas, a maioria profissionais que precisam viajar, alegam que o valor cobrado pela empresa concessionária é muito alto e o pagamento até agora não trouxe nenhum retorno em termos de melhoria das estradas. O desvio mais movimentado é o da BR-376, entre Maringá e o município de Presidente Castelo Branco. O valor do pedágio é de R$ 2,90 por eixo, em uma rodovia simples, sem grandes melhorias.
O desvio tem quase 4 quilômetros, cerca de 900 metros a mais que o trecho asfaltado entre a entrada e a saída dos dois lados da praça de pedágio. Como a pista é simples, veículos que vêm dos dois lados usam a estrada alternativa. O movimento é tão grande que máquinas de uma usina de álcool da região fazem melhorias no desvio. Não há dados sobre a média de veículos que passam por ali. Mas percorrendo o trecho é possível calcular que mais de 50% dos motoristas evitam a praça de pedágio. Até carretas carregadas ou motocicletas, que pagam R$ 1,10 de pedágio, passam pela estrada rural.
O caminhoneiro Rogério Peres, de Sarandi, faz o trajeto entre a região de Maringá e Paranavaí pelo menos três vezes por dia, transportando frutas. ‘‘Uso o desvio porque o pedágio é muito caro’’, afirmou. O caminhão dele, com três eixos, paga R$ 8,70 cada vez que passa na praça de cobrança. Ele reclamou que a estrada não recebeu melhorias e disse que, se a concessionária cobrasse R$ 1,00 por eixo, concordaria em pagar.
Marcos NegriniFluxoA praça de pedágio em Presidente Castelo Branco tem pouco movimentoEm outro trecho da BR-376, entre Marialva e Mandaguari, pelo menos 40% dos motoristas desviam da praça de pedágio. O cálculo é do empresário Adalberto Feltrin, que tem uma transportadora em Mandaguari. ‘‘Quem paga, a gente percebe que está pagando com raiva’’, afirmou. Ele adiantou à Folha que ainda esta semana motoristas e frotistas da região pretendem fechar novamente a praça de pedágio. ‘‘Agora será por tempo indeterminado’’, ameaçou.
A superintendência administrativa-financeira da Viapar, concessionária do Lote 2 do Anel de Integração, calcula que o movimento nas cinco praças administradas pela empresa caiu entre 15% e 20%, em relação ao fluxo registrado nas primeiras semanas de cobrança. A direção da empresa diz que não tem o que fazer contra as ‘‘rotas de fuga’’, mas alerta que os veículos avariados em estradas rurais não receberão o socorro gratuito.Marcos Negrini‘Rota de fuga’
Na BR-376, mais da metade dos veículos desvia da praça de Presidente Castelo BrancoMarcos Zanatta

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