Desvio do rio pode reduzir custo de tratamento de água
Israel Reinstein
De Curitiba
Um projeto do governo estadual pretende diminuir o custo do tratamento de água da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A intenção é desviar o leito do Rio Palmital, que hoje forma a rede de captação do Iguaçu, para depois da estação de tratamento. Com isso, a Sanepar pretende aumentar a vazão de água limpa, que vem dos mananciais do Iraí, e reduzir os gastos do uso de produtos químicos aplicados na limpeza. Nos últimos cinco anos, a estatal está gastando cerca de 40% a mais para garantir a potabilidade da água.
O projeto está sendo desenvolvido em conjunto com a Sanepar, Coordenação Metropolitana de Curitiba (Comec) e Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). A intenção é criar um canal de água limpa, que vai sair da bacia do Rio Iraí e cair direto na Estação de Tratamento do Iguaçu, responsável por 50,8% do abastecimento da RMC. Para manter a água limpa, também será desviado o Rio Palmital do setor de tratamento, voltando ao leito normal depois da estação de água.
Hoje, às margens do Rio Palmital estão tomadas por invasões, que deságuam os esgotos das casas irregulares, explica a engenheira química Eloize Motter Rodrigues, da Unidade de Serviço de Produção da RMC. A maior ocupação da região é a Vila do Zumbi dos Palmares, no município de Colombo.
A engenheira entende que a construção do canal deverá diminuir os gastos que a Sanepar tem com a limpeza da água. Atualmente, a empresa gasta por ano na estação do Iguaçu pouco mais de R$ 5 milhões na compra de produtos químicos. Nas estações do Tarumã e Passaúna, onde a qualidade da água dos rios é melhor, os gastos não ultrapassam R$ 1 milhão.
A construção do canal deve ser realizada ainda este ano, mas não tem data específica para ser encerrada. A viabilização da obra depende da disponibilidade de cada um dos órgãos envolvidos. Está prevista a desapropriação de áreas e também um regularização das regiões invadidas próximas de rios.
Uma das regiões mais atingidas pela regularização é o bairro do Guarituba. Os moradores criaram na segunda-feira o Fórum Permanente em Defesa de Piraquara. Uma das reivindicações é a elaboração do projeto de uso do solo, que vai definir os espaços que poderão ser habitados.





